TCU faz “pente-fino” em levantamento da Fazenda sobre reforma tributária

Estudo destrincha impacto das alterações feitas pelos deputados no texto aprovado com folga no começo de julho

Cristiane Noberto, da CNN, Brasília
Tribunal de Contas da União - TCU
Secretário-extraordinário da Reforma Tributária, Bernard Appy, entregou o estudo ao secretário de Controle Externo de Contas Públicas do TCU, Tiago Dutra  • Foto: Secex - SP
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O Tribunal de Contas da União (TCU) já começou o pente-fino no levantamento de dados e informações relacionados à tributação sobre o consumo, feito pelo Ministério da Fazenda.

O estudo, de nove páginas, foi divulgado na noite de terça-feira (8) e destrincha o impacto das alterações feitas pelos deputados no texto aprovado com folga no começo de julho.

O secretário-extraordinário da Reforma Tributária, Bernard Appy, entregou o estudo ao secretário de Controle Externo de Contas Públicas do TCU, Tiago Dutra, que chefia um Grupo de Trabalho para assessorar Eduardo Braga (MDB-AM), relator da proposta no Senado.

 

 

O grupo foi formalizado em ordem de serviço e funcionará por um prazo de 90 dias.

Aos técnicos do TCU, Appy detalhou os dados e explicou que os cenários simulados no levantamento do Ministério da Fazenda levaram em consideração o hiato de conformidade, ou seja, a diferença entre o potencial de arrecadação de tributos sobre o consumo e a arrecadação efetivamente obtida.

A análise da Fazenda alerta que devido à lista de exceções concedidas pelos deputados, a estimativa do novo Imposto sobre Valor Agregado (IVA) poderá ser um dos maiores do mundo, chegando a 27%.

No entanto, a Fazenda reconhece que as estimativas não são precisas, pois não seria possível prever exatamente qual será o hiato de conformidade.

“Sobretudo porque as alíquotas projetadas dependem de características que serão definidas apenas quando da regulamentação do novo sistema tributário por legislação infraconstitucional”, diz o texto divulgado.

A composição da alíquota final é dada como a soma do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) com a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), tais como hotelaria, serviços de transporte coletivo, produções jornalísticas, bares, restaurantes, entre outros. Segundo a nota técnica, cada exceção representaria um incremento na alíquota final.

No cenário otimista, é considerado um hiato de conformidade de 10%, e a alíquota-padrão total do novo modelo chegaria a 25,45%.

Em relação ao Conselho Federativo do IBS, Appy destacou que o órgão é necessário para gerir a arrecadação, tratar do contencioso administrativo e uniformizar as obrigações acessórias e a interpretação da legislação em âmbito nacional.

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