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    Yuan ou renmimbi: saiba qual o nome certo da moeda da China

    Sistema métrico virou sinônimo da moeda; entenda

    Moeda local chinesa foi usada em primeira transação com o Brasil sem uso do dólar
    Moeda local chinesa foi usada em primeira transação com o Brasil sem uso do dólar Unsplash/Eric Prouzet

    João Nakamurada CNN*

    São Paulo

    O Brasil e a China completaram no dia 28 de agosto a primeira transação utilizando apenas moedas locais, sem uso do dólar.

    Apoiando a operação, o Banco da China Brasil (BOC Brasil) realizou o intermédio da transação e converteu diretamente o renmimbi recebido em reais para enviar ao cliente.

    Além de ser uma transação importante e um passo na direção da independência em relação ao dólar, outro fator que chama atenção aqui é a moeda chinesa citada, o renmimbi.

    Aquilo que popularmente conhecemos e citamos como o dinheiro da China, o yuan, na realidade é uma unidade de conta.

    Moeda e unidade de medida

    Renmimbi em chinês significa algo como “moeda do povo” ou “moeda popular”, sendo esse o nome oficial da moeda corrente da China. Tal qual o real no Brasil.

    A diferença é que o real representa tanto a moeda quanto sua unidade de medida. A única diferenciação que aplicamos na conta do real é quando falamos de uma fração da unidade da moeda, ou seja, o centavo.

    Na China, o renminbi pode ser dividido em várias partes, várias unidades de conta. A principal delas, o yuan, equivale a um renminbi.

    “Quando estamos falando de preços ou custos na China, usamos o termo ‘yuan’. [Ou] quando se fala em trocas comerciais, transações, preços e valores, [também] é mais apropriado usar ‘yuan’ porque geralmente estamos nos referindo a uma quantia específica de dinheiro”, explica o especialista em macroeconomia, Wagner Moraes.

    Por outro lado, quando estamos falando sobre a política monetária chinesa ou o sistema monetário como um todo, ‘renminbi’ ou ‘RMB’ pode ser mais apropriado”, pontua o economista.

    Apesar de ser algo estranho para o brasileiro, outros países também usam dessa diferenciação entre moeda e unidade para organizar sua estrutura monetária. No Reino Unido, por exemplo, a moeda se chama Libra Esterlina (sterling), enquanto a unidade de conta é a libra (pound). 

    Antes de adotar o euro, outro país que usava dessa divisão era Portugal. Enquanto a moeda corrente eram os escudos, muitos preços eram indicados em contos (unidade de conta). 

    E por que falamos tanto em yuan e não em renminbi?

    Uma vez usado como unidade métrica padrão, o yuan também é usado para definir a taxa cambial da moeda chinesa, sendo o parâmetro para definir os valores que serão calculados e usados em conversões.

    Só ao final da operação, quando a transação chega na moeda local da China, o valor é convertido para a moeda oficial, o renminbi.

    Desse modo, o que está mais próximo da nossa relação com o sistema monetário chinês é a métrica utilizada para definir quantias, o yuan.

    Além disso, Moraes indica que pela simplicidade e o uso mais recorrente do termo yuan no dia a dia, uma vez que ele se refere a quantidade de dinheiro que será usado, criou-se um senso comum de que esta é a moeda oficial chinesa.

    “Turistas e comerciantes frequentemente encontram ‘yuan’ ao lidar com transações, tornando-o mais familiar. Muitos sistemas educacionais apresentam o ‘yuan’ de forma simplificada como a ‘moeda da China’, levando a uma percepção mais ampla de que este é o termo principal para a moeda chinesa”, pontua o economista.

    E o renminbi impacta em nossas vidas?

    Sim, uma vez que é tendo em vista a regulação da moeda oficial que a China define sua política monetária e relações comerciais.

    Walter Moraes reforça que uma vez a China sendo o maior parceiro comercial do Brasil, qualquer impacto na economia chinesa pode ressoar aqui.

    “[O renminbi] impacta em nossas vidas de várias formas, principalmente no comércio internacional, na inflação e no crescimento econômico. Por exemplo, os preços dos produtos chineses que consumimos e os das commodities que exportamos”, conclui Moraes.

    *Sob supervisão de Ana Carolina Nunes

    Veja também: Brasil busca intensificar fluxo de comércio com a China