52% dos gestores não usam o termo "professor" para educadores infantis
Estudo da Frente Parlamentar Mista da Educação, em parceria com o Equidade.info, revela desvalorização na educação infantil, com o uso do “tia” prevalecendo nas escolas

Uma pesquisa realizada pela Frente Parlamentar Mista da Educação, em parceria com o Equidade.info, mostra que menos da metade dos gestores escolares em unidades de educação básica que também oferecem serviços de educação infantil (como creche, pré-escola ou ambos), o que representa 48%, identifica os profissionais da educação infantil como “professores”.
A maioria (52%) recorre a termos como “tia” ou “pedagogo”, prática que contribui para a desvalorização de uma das carreiras mais importantes do país.
Reconhecimento ainda é desafio
A análise regional indica contrastes ainda mais marcantes: no Sul, o reconhecimento como “professor(a)” é praticamente unânime (99%), enquanto no Sudeste nenhum gestor entrevistado usou o termo para se referir aos profissionais de creches e pré-escolas (0%).
Fatores estruturais se somam à falta de reconhecimento desses profissionais. Segundo o Anuário Brasileiro da Educação Básica, um terço dos municípios brasileiros não paga o piso salarial nacional (R$ 4,8 mil) para professores da rede pública – no Sudeste, quase metade das cidades (45%) ignora o valor-base. Por outro lado, 80% dos municípios do Nordeste e 73% do Norte garantem o salário determinado para a categoria.
A deputada Luciene Cavalcante (PSOL-SP), professora e membro da Frente Parlamentar Mista da Educação, reforça a necessidade urgente de valorização profissional e de reconhecimento da identidade docente, especialmente na educação infantil.
“Os dados revelam a necessidade urgente de reconhecimento das educadoras que atuam nas creches, assegurando enquadramento na carreira do magistério, formação permanente e um terço da jornada dedicada para capacitação. A valorização deve ser salarial e também incluir outros direitos, como formação continuada. Com a efetivação dos direitos, a sociedade começará a reconhecer os profissionais que atuam nas creches como verdadeiros professores que são”, diz.
Mesmo com o menor percentual de escolas com oferta de educação infantil, todos os gestores de escolas estaduais reportaram que os profissionais são chamados de "Professor(a)". Por outro lado, apenas 1 em cada 3 gestores de escolas da rede privada que oferecem algum dos serviços usa essa nomenclatura para se referir aos profissionais da educação infantil - na rede municipal, metade (51%) dos gestores reconhece os profissionais como “professores”.
Coordenador do Equidade.info e docente da Stanford Graduate School of Education, o professor Guilherme Lichand, responsável pela pesquisa em parceria com a Bancada da Educação, ressalta a relação entre nomenclatura e remuneração.
"A mensagem principal é: se 1/3 dos municípios ignora o piso dos professores, será que os outros 2/3 pagam mesmo? Na educação infantil é menos óbvio, já que esses profissionais não são necessariamente considerados professores pela rede. Aqui mostramos que em mais da metade das escolas que identificamos a oferta dos serviços, esses profissionais não são chamados exclusivamente de professores, o que é indicativo de vulnerabilidade nessa questão do piso salarial", destaca Lichand.


