"Adivinhador" do Enem: entenda polêmica sobre suposto vazamento da prova

Controvérsia em torno da prova de domingo (16) tem causado revolta entre candidatos

André Nicolau, da CNN Brasil
  • Reprodução/X
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Circula nas redes sociais uma polêmica que pode colocar em xeque a transparência das questões aplicadas na edição 2025 do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio). Participantes da prova chamam a atenção para um suposto vazamento das questões aplicadas no dia 16 de novembro.  

Segundo relatos publicados na rede social X, dias antes da avaliação voltada a questões de matemática e ciências da natureza, uma live no YouTube exibiu questões que se revelaram quase idênticas às aplicadas na prova, com algumas apresentando exatamente os mesmos números que constavam na prova oficial do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira). 

A coincidência repercutiu imediatamente nas redes sociais, levando a uma enxurrada de reações diante de um possível cancelamento do exame.  

"Adivinhador" do Enem

O cearense Edcley Teixeira, estudante de medicina responsável pela live acusada de vazar conteúdos do Enem 2025, apresenta-se nas redes sociais como um “mentor” de estudos. Com 17,5 mil seguidores no Instagram, o autodeclarado guru ostenta uma série de publicações onde detalha a habilidade de prever questões da prova.  

Ele inclusive participou do Prêmio Capes Talento Universitário, um programa realizado pelo MEC (Ministério da Educação), em que candidatos do Enem de edições passadas são submetidos a uma prova de conhecimentos gerais.

Em um dos stories, Edcley alega que as questões do prêmio são reutilizadas como base para futuros itens do Enem.  

Questão apresentada na live                                            Pergunta da prova

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Em outras publicações, no entanto, o estudante de medicina acrescenta ter usado técnicas "muito mais apuradas", baseadas em "algoritmos" próprios e em sua análise da TRI (Teoria de Resposta ao Item) — método de correção do Enem — desenvolvida ao longo de mais de dez anos. 

Além disso, o "mentor" cita ter utilizado técnica conhecida como "engenharia reversa" para a composição da prova. Para isso, teria identificado e rastreado professores universitários responsáveis pela elaboração e revisão das perguntas por meio de chamadas públicas divulgadas pelo Inep —responsável por aplicar a prova.  

Procurados pela CNN Brasil, Edcley, MEC e Inep não responderam até a publicação desta reportagem.

Com informações de Fernanda Garcia e Dora Arai.