Atraso escolar entre crianças de 6 a 10 anos aumentou no Brasil, diz IBGE

SIS (Síntese de Indicadores Sociais), relatório divulgado anualmente pelo IBGE, analisa indicadores da população brasileira em áreas como educação

André Nicolau, da CNN Brasil
Historicamente, década após década, um dos maiores impasses educacionais enfrentados pelo poder público diz respeito ao atraso escolar  • Wilson Dias/Agência Brasil
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Em um ano, a taxa de frequência escolar de crianças entre 0 e 3 anos alcançou 39,7% no Brasil, enquanto o grupo de 4 a 5 anos atingiu 93,5%.

Os dados estão na SIS (Síntese de Indicadores Sociais), divulgada nesta quarta-feira (3) de dezembro, pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

O levantamento anual reúne números que destacam a realidade em sala de aula e os desafios que norteiam os rumos da educação brasileira.

Os dados apresentados no relatório revelam que, em 2024, uma criança de 0 a 3 anos na região Sudeste tinha mais que o dobro de chances de frequentar a educação infantil do que uma criança no Norte do país.

Ainda quando o assunto é frequência escolar na infância, o documento revela aumento no percentual de crianças de 0 a 5 anos de idade que não frequentavam escola por opção dos pais ou responsáveis: 0 a 3 anos (59,9%) e de 4 a 5 anos (48,1%).

Importância de políticas públicas

Historicamente, década após década, um dos maiores impasses educacionais enfrentados pelo poder público diz respeito ao atraso escolar.

No relatório deste ano, o IBGE indica que, ao contrário da perspectiva de superação do marcador, o atraso escolar das crianças de 6 a 10 anos de idade aumentou, tendo a Taxa de Frequência Escolar Líquida (equação entre idade e etapa) passado de 95,7% para 90,7% entre 2019 e 2024.

A coordenadora de Políticas Educacionais do Todos Pela Educação, Natália Fregonesi, reforça a importância de investimento na educação pública. "A concentração da maioria das matrículas da educação básica nas redes estaduais e municipais evidencia a importância de assegurar recursos adequados e uma gestão eficiente para promover o progresso e garantir uma educação de qualidade com equidade no Brasil."

Evasão e analfabetismo

Aproximadamente 8,5 milhões de jovens com idades entre 15 e 29 anos abandonaram o ensino médio em 2024, sugerem os números divulgados pela IBGE.

Esse marcador dialoga diretamente com o cenário em que o Nordeste apresenta taxa de analfabetismo duas vezes maior do que a média nacional (5,3%), com 11,1% das pessoas de 15 anos ou mais sem saber ler e escrever sequer um bilhete simples.

"Em 2024, a média de anos de estudo de todos os jovens de 18 a 29 anos foi 11,9, um avanço de 0,8 em relação a 2016, muito próximo dos 12 anos almejados pela Meta 8 do PNE", indica o relatório.

Desigualdade educacional

A especialista reflete que as taxas de conclusão básica no país, apesar dos avanços, ainda apresentam disparidades significativas. "Jovens brancos e de maior poder aquisitivo apresentam taxas de conclusão do ensino médio superiores às de jovens negros e de menor poder aquisitivo, demonstrando a persistência da desigualdade educacional", destaca Natália.

A coordenadora reforça que os resultados do estudo chamam a atenção para a importância de políticas públicas que garantam o acesso, a permanência, a aprendizagem e a conclusão da educação, especialmente para os grupos historicamente vulneráveis. "O novo Plano Nacional de Educação representa uma oportunidade significativa para acelerar o progresso, com foco intencional na superação das desigualdades que ainda caracterizam a educação básica no Brasil".

O projeto de lei, que prevê uma série de ações visando garantir a qualidade do ensino, além de combater o analfabetismo, está em tramitação no Congresso.