Dificuldade no ensino de matemática ameaça avanço do Brasil em tecnologia

Setores importantes da economia dependem de boa formação em raciocínio lógico

Maria Paula Giacomelli, colaboração para a CNN Brasil
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O desafio no ensino da matemática na educação básica brasileira pode limitar o avanço do país em temas de tecnologia, inteligência artificial e nas carreiras científicas.

Engenharia, inteligência artificial, ciência de dados, automação, finanças e diferentes segmentos da indústria dependem de profissionais capazes de interpretar informações, construir modelos e resolver problemas complexos. 

A avaliação é do mestre em matemática e gerente da Casio Educação, Jalman Lima. Segundo o especialista, esses setores dependem de uma boa formação matemática e de raciocínio lógico

"O domínio da matemática está ligado à capacidade de interpretar dados, produzir conhecimento, desenvolver tecnologia e enfrentar problemas complexos. Quanto mais estudantes têm acesso a essa formação, mais o país aumenta seu potencial de inovação”, afirma.

Dados da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) de 2022 mostram que apenas 27% dos estudantes brasileiros de 15 anos atingiram pelo menos o nível 2 de proficiência em matemática, considerado o patamar básico pela avaliação. A média dos países da OCDE foi de 69%.

O resultado aponta que uma parcela expressiva dos alunos brasileiros tem dificuldade de aplicar conhecimentos matemáticos em situações relativamente simples.

Lacunas no ensino

O especialista avalia que existem gargalos na aprendizagem de conceitos fundamentais, como frações, proporcionalidade, porcentagem, álgebra e interpretação de problemas. Se não resolvidos nos anos iniciais, os alunos carregam o vácuo no ensino ao longo de toda a trajetória escolar.

"Como muitos conhecimentos matemáticos se apoiam em aprendizagens anteriores, dificuldades nesses conceitos podem afetar a compreensão de conteúdos mais avançados, entre eles funções, estatística, geometria analítica, física e programação", explica.

“Muitos estudantes memorizam fórmulas, mas têm dificuldade para explicar o raciocínio, interpretar situações reais ou escolher estratégias de resolução”, diz.

Um dos caminhos que professores e instituições de ensino podem adotar pedagogicamente para reduzir as lacunas é o método STEM, sigla em português para ciência, tecnologia, engenharia e matemática. Essa abordagem tem como objetivo articular conhecimentos dessas áreas na investigação de problemas, na criação de soluções e no desenvolvimento de projetos.

“Ao participar de atividades de investigação, experimentação, análise de dados e resolução de problemas, o estudante tem a oportunidade de desenvolver competências relevantes para diferentes contextos acadêmicos e profissionais, como pensamento crítico, criatividade, colaboração e tomada de decisões baseada em evidências”, explica.

Outro caminho é desafiar os alunos ao longo do ensino da disciplina, com foco no caminho e não apenas no resultado. Atividades que coloquem o estudante em projetos interdisciplinares, resolução de problemas e em debates de discussão de diferentes estratégias de resolução podem ser aliadas no ensino da disciplina.

“É importante que o professor incentive os alunos a explicar os caminhos, comparar métodos, justificar escolhas e revisar hipóteses. Dentro da abordagem STEM, o erro deve ser entendido como parte do processo investigativo, e não apenas como sinal de fracasso”, fala Lima.