Estudantes da USP indicam greve após paralisação de funcionários

Alunos paralisaram na terça (14) e decidem sobre continuidade de movimento nesta quinta (16) após faculdade aprovar bônus de R$ 239 milhões aos professores

Maria Paula Giacomelli, colaboração para a CNN Brasil
Compartilhar matéria

Estudantes da Universidade de São Paulo aprovaram uma greve na noite de quarta-feira (15). Os alunos se reuniram no vão da FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas), no campus do Butantã, zona oeste de São Paulo.

A reunião foi convocada pelo DCE (Diretório Central dos Estudantes) após os alunos aderirem na terça (14) à greve dos funcionários da universidade.

Agora, o centro acadêmico de cada curso deverá convocar uma assembleia para decidir sobre a adesão ao movimento. Os estudantes pedem por melhora nas condições de permanência estudantil, como nas moradias, valores de bolsas e alimentação.

Ao convocar a assembleia, o DCE disse considerar que a mobilização é irreversível. “Só saímos com conquistas concretas. Uma universidade rica beneficiar apenas uma categoria não é normal. Os estudantes comerem larva, barata, vidro, não é normal. Paramos para que a USP seja, de fato, de qualidade e para todos”, escreveu o Diretório nas redes sociais.

Já o Sindicato dos Trabalhadores da USP exige isonomia da reitoria após a aprovação de uma gratificação aos professores no final de março. Em nota enviada à CNN Brasil, o Sintusp diz querer o mesmo montante a ser gasto em dois anos com a gratificação dos docentes também aos funcionários.

No final do mês passado, a reitoria da universidade, sob o comando de Aluisio Augusto Cotrim Segurado, aprovou o bônus chamado de Gace (Gratificação por Atividades Complementares Estratégicas).

A medida foi aprovada pelo Conselho Universitário e pagará mensalmente R$ 4.500 a mais aos docentes que apresentarem propostas para as áreas de ensino, pesquisa, inovação, cultura, extensão e gestão, consideradas estratégicas pela USP.

De acordo com a universidade, o salário inicial de um professor na instituição é de R$ 16.353,01 e a gratificação poderá alcançar cerca de 82% dos 4.558 docentes. A previsão é de que a medida tenha um custo anual de quase R$ 239 milhões.

O sindicato dos servidores diz que está marcado para esta quinta-feira (16), às 14h30, um ato com estudantes e funcionários em frente à reitoria.

“Retenção de talentos”

Após a aprovação da medida, Segurando afirmou que a gratificação tem por objetivo valorizar a carreira docente da USP.

“A instituição da Gace se insere no propósito de promover mecanismos de valorização das atividades acadêmicas e da carreira docente e ao estímulo e à ampliação da excelência acadêmica como pressuposto do desenvolvimento social”, disse ele em matéria publicada pelo jornal da faculdade.

Procurada, a assessoria de imprensa da USP encaminhou uma nota publicada no site no dia 14. Nela, a reitoria disse que se reuniu com representantes de entidades estudantis e propôs a criação de grupos de trabalho temáticos para tratar de políticas de apoio à permanência estudantil, “com participação do corpo discente da Universidade”.

A Reitoria falou ainda em reafirmar o compromisso permanente com a manutenção de um diálogo construtivo com todos os segmentos da Universidade, “pautado no respeito à diversidade”.