Lei das férias de 2027 fere autonomia das instituições, diz Fenep

Escolas particulares se manifestam contra reorganização do calendário escolar por causa da Copa do Mundo Feminina

Gabriela Carvalho, colaboração para a CNN Brasil
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Uma mudança no calendário escolar de 2027 foi anunciada após o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), sancionar a lei que regulamenta a Copa do Mundo Feminina 2027, que acontecerá no Brasil no próximo ano.

A proposta prevê, dentre outras medidas, que os calendários escolares sejam ajustados para que as férias do meio do ano coincidam com o período da competição, que acontece de 24 de junho a 25 de julho de 2027. O objetivo é garantir maior participação da população.

A medida, no entanto, tem causado preocupação entre entidades educacionais. Em nota, a presidente da Fenep (Federação Nacional das Escolas Particulares), professora Amábile Pacios, alega que a lei fere a autonomia das escolas privadas.

“A lei federal não tem ingerência sobre o calendário escolar das escolas particulares. Os estados podem fazer a gestão do calendário das escolas públicas de sua rede, mas isso não significa impor o calendário às instituições privadas de ensino”, afirma Amábile.

A nota divulgada pela entidade defende que “eventuais ajustes de calendário devem respeitar as competências legais, a realidade de cada rede e a autonomia das instituições privadas”.

Além disso, o pronunciamento reitera que não há, neste momento, razão para judicialização, uma vez que a Fenep não identifica violação concreta aos direitos das escolas particulares. No entanto, a Federação seguirá monitorando os movimentos nos estados, especialmente junto aos conselhos estaduais de educação e às secretarias de educação.

Em entrevista à CNN Brasil, Amábile Pacios, presidente da Fenep, afirmou que reconhece a relevância e valorização da Copa do Mundo Feminina. Mas o ponto reforçado pela entidade é a necessidade de garantir que as escolas particulares tenham sua autonomia respeitada.

“Cada escola organiza seu calendário considerando sua proposta pedagógica, sua comunidade, seus contratos, sua equipe e o cumprimento dos 200 dias letivos. Uma mudança feita de forma uniforme pode impactar o planejamento do ano e até a organização do ano seguinte”, defende ela.

Ao ser questionada sobre a possibilidade de readequar o período de férias de maneira que não interfira no planejamento escolar, a presidente explica que essa pode ser uma alternativa, desde que seja uma decisão da própria instituição.

“O problema é transformar essa medida em uma obrigação para todas as escolas particulares do país. As realidades são muito diferentes, e o calendário escolar precisa considerar essas diferenças”, disse.

De acordo com ela, as escolas particulares devem cumprir os 200 dias letivos e a carga horária obrigatória, mas precisam ter liberdade para definir como organizar esse planejamento ao longo do ano.

“Neste caso, a preocupação não é com a Copa. A preocupação é evitar que uma regra geral prejudique o planejamento pedagógico e administrativo das escolas particulares”, completou Amábile Pacios.

Ao ser procurado pela reportagem, o MEC (Ministério da Educação) informou que o tema será oportunamente analisado pelo CNE (Conselho Nacional de Educação), que emitirá um parecer a respeito, enviado posteriormente para homologação do Ministério. A matéria será atualizada quando houver novo posicionamento,