Machosfera: entenda termo usado na redação da Unicamp

Tema da segunda fase aborda comunidades digitais que difundem discursos antifeministas e práticas de misoginia

Tatiana Cavalcanti, colaboração para a CNN Brasil
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Prova da Unicam aborda a machosfeta, conceito que expõe a mulher online  • Freepik
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Um dos temas da prova de redação da segunda fase da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), neste domingo (30), foi: "A 'machosfera' e o discurso de ódio contra as mulheres".

A expressão machosfera é usada para descrever redes de grupos digitais que afirmam discutir questões masculinas, mas que difundem online narrativas antifeministas, além de práticas de misoginia e ódio contra as mulheres.

A ONU Mulheres, entidade das Nações Unidas dedicada à igualdade de gênero e ao empoderamento das mulheres, define a machosfera como o conjunto de comunidades que reforçam modelos rígidos de masculinidade e a ideia de que avanços na igualdade de gênero ocorreram “às custas dos homens”.

Relatórios da entidade mostram que esses grupos se articulam em aplicativos de namoro, jogos, podcasts e redes sociais, onde parte do conteúdo incentiva comportamentos nocivos e sustenta a premissa falsa de que os homens seriam vítimas de um cenário social supostamente favorável às mulheres.

Segundo especialistas citados pela CNN Portugal, a machosfera atua em redes sociais, fóruns e plataformas de vídeo, combinando influência, monetização e pouca regulação.

É um ambiente, segundo os especialistas, onde os homens escolhem as mulheres como inimigo, são orgulhosamente misóginos, transformam a violência de gênero em espetáculo online, doutrinam crianças e lucram com isso – eis a machosfera, uma “bomba relógio que já explodiu”, alertam.

Mulheres culpadas

Os especialistas ouvidos pela CNN Portugal dizem que essas redes funcionam a partir da oposição ao feminismo e da circulação de discursos que culpabilizam mulheres por violências sofridas por elas.

Esses materiais são amplificados por algoritmos e convertidos em produtos lucrativos, ao mesmo tempo em que alimentam práticas de assédio, vigilância e exposição não consentida.

Regulação das plataformas

Organismos ligados à ONU defendem que o enfrentamento da machosfera depende de políticas públicas, regulação das plataformas e educação para igualdade.

Para especialistas, estratégias de prevenção, suporte a vítimas e análise rigorosa das dinâmicas digitais são fundamentais para reduzir o impacto desses grupos e promover ambientes online mais seguros.