PND: 45,9% dos docentes de matemática são considerados proficientes
Índice vai a 80,2% em professores de ciências humanas; saiba mais

O resultado da PND (Prova Nacional Docente), divulgada nesta quarta-feira (20), indica que menos da metade dos docentes de matemática foram avaliados como sendo proficientes.
A PND funciona como uma espécie de "Enem dos Professores" e é uma prova para avaliar as competências dos professores do Brasil e saber se elas estão alinhadas às Diretrizes Curriculares Nacionais.
A pesquisa indicou que 45,9% dos docentes de matemática foram avaliados como sendo proficientes. De acordo com o MEC (Ministério da Educação) e o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), que organizaram o exame, participaram 53.031 mil professores da disciplina.
São considerados proficientes os participantes que têm desempenho igual ou superior a 50 pontos na escala de cada área.
Índice vai a 80,2% em professores de ciências humanas
Na mesma pesquisa, os participantes avaliados da área das ciências humanas foram os que obtiveram melhor resultado. A área abrange as licenciaturas de Ciências Sociais, Filosofia, Geografia e História.
No total, foram 94.528 docentes que prestaram a prova e 80,2% deles atingiram, no mínimo, os 50 pontos.
Ao todo, 760 mil pessoas fizeram a prova, sendo mais de 200 mil concluintes de cursos de licenciaturas.
A PND funciona também como um suporte técnico aos entes federados, permitindo que estados e municípios utilizem as notas do exame nacional em seus concursos públicos e processos seletivos locais.
Desafios estruturais
Os resultados recentes da avaliação docente expõem um gargalo estrutural severo no ensino de exatas: mais da metade (54,1%) dos participantes de matemática não demonstrou proficiência básica.
"Apenas cerca de 5% dos avaliados na área alcançaram o Padrão 2 de proficiência, o nível que de fato garante que o docente possui competências sólidas para planejar, aplicar metodologias e conduzir avaliações com fundamentação pedagógica e reflexiva", detalha Caetano Siqueira, diretor-geral do Parceiros da Educação, organização que atua na melhoria da educação pública paulista em parceria com escolas, redes de ensino e secretarias municipais e estaduais.
Essa escassez de profissionais altamente qualificados, pontua o especialista, destoa de outras áreas e encontra raízes na precarização da formação inicial, fortemente impactada pela expansão de cursos EaD (A distância), modalidade na qual 53,1% dos concluintes gerais não atingiram sequer a proficiência mínima.
"Como a qualidade da docência é o fator intraescolar que mais afeta o aprendizado, essa fragilidade na base formativa atinge diretamente a sala de aula. Sem professores munidos das ferramentas pedagógicas necessárias para traduzir a complexidade da disciplina de forma contextualizada, o ensino se torna mecânico e excludente", explica.
O especialista ressalta que a precarização no processo de formação impacta diretamente em sala de aula. E que, não por acaso, apenas uma fração mínima (cerca de 5%) dos estudantes brasileiros consegue se formar no ensino médio da rede pública com o conhecimento adequado em matemática. "O déficit de aprendizagem do aluno é, em grande medida, o reflexo direto de um sistema que não tem conseguido formar adequadamente seus próprios professores."


