Sandy é tema de pesquisa científica que analisa trajetória musical

Estudo foi publicado em revista da Unicamp e examina como vida de cantora influenciou músicas dela

Da CNN Brasil*
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A cantora Sandy, 43, foi tema de uma pesquisa científica publicada pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), que analisou como as diferentes fases da carreira e da vida da artista influenciaram a obra musical dela.

Sob o título "Há Sandy entre nós, mas é você quem mais julga", de julho deste ano, a autora Aparecida Eule analisou as canções "Me Espera" (com Tiago Iorc), "Areia" (com Lucas Lima), "Pra Me Refazer" (com Anavitória) e "Eu Pra Você" (Melim), selecionadas de modo aleatório pelo aplicativo de música Spotify.

"Quem nasceu antes de 1990 viu essa figura feminina ainda meninota. Depois, adolescente; aí, jovem. Em seguida, mulher. Quis saber como ela estaria em 2024, ano em que escrevi o artigo. Do que falava, se conseguiu chegar a alguma poesia. Digitei seu nome no aplicativo de música e aí apareceu a lista das mais ouvidas", diz ela à CNN Brasil.

Eule afirma que quis analisar como a história de vida de uma artista gera sentidos ao longo de sua carreira. "O artigo tenta compreender como performar em dupla com diferentes homens e mulheres faz a música, a letra e a voz terem sentidos diversos", completa.

O estudo e a elaboração do projeto demoraram dois anos, e a análise dos pontos abordados envolveu campos de História, Linguística e Psicanálise. A autora diz que, no começo, não tinha a pretensão de publicar o estudo.

"Enquanto analisava, fui me sentindo mais viva, capaz também de ter uma voz. Quando ouvimos a voz da Sandy, temos a experiência sonora e estética, mas também temos a voz social e simbólica que essa artista tem", conta.

A publicação repercutiu nas redes sociais e a própria cantora reagiu. "Me sinto homenageada e grata", escreveu ela em uma postagem.

Autora é um heterônimo criado por doutorando

Aparecida Eule é um heterônimo, uma personalidade literária criada por um escritor, e é de autoria do professor de língua portuguesa e doutorando em linguística Fábio Piantoni.

Na literatura, o método é conhecido por ter sido adotado por Fernando Pessoa. O escritor publicou algumas obras sob a assinatura de poetas como Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos, que não possuíam apenas nomes e estilos de escrita diferentes, mas uma biografia individual completa criada por Pessoa para cada um.

À CNN Brasil, Piantoni afirmou que quis usar o heterônimo porque sempre esteve cercado de mulheres, como mãe, avós, irmãs e amigas, ao longo da vida.

"Isso desenvolveu em mim uma certa sintonia, capaz de ouvir de forma artística e científica a voz da mulher. Uma voz feminina de mim e de todos nós."

 

*Publicado por Maria Paula Giacomelli, em colaboração com a CNN Brasil