Vale a pena investir em escolas bilíngues? Especialistas dão dicas

Exposição a dois idiomas desde cedo estimula as conexões cerebrais e melhora o raciocínio e a resolução de problemas na infância

Tatiana Cavalcanti, colaboração para a CNN Brasil
Escolas bilíngues usam o idioma de forma imersiva não apenas em aula de linguagem
Escolas bilíngues usam o idioma de forma imersiva não apenas em aula de linguagem  • Imagem gerada por IA
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A busca por uma educação que vá além do ensino tradicional de idiomas tem levado famílias a se perguntarem se vale a pena colocar seus filhos em escolas bilíngues.

Diferente de cursos de idiomas, o modelo bilíngue propõe uma imersão onde o inglês não é apenas uma matéria, mas o meio pelo qual se aprende matemática, ciências e artes. Especialistas defendem que esse contato constante com duas línguas impacta diretamente a formação intelectual e emocional do estudante.

Para Vanessa Codecco, pedagoga e diretora pedagógica do Twice Bilingual, sistema de ensino da Rhyzos Educação, o aprendizado bilíngue ocorre de forma natural e significativa. "A criança usa a língua no dia a dia, em diferentes contextos. Isso contribui para o desenvolvimento global, melhorando o raciocínio lógico, a concentração e a organização do pensamento."

Essa percepção é ratificada pela medicina. De acordo com o médico pediatra e neonatologista Nelson Douglas Ejzenbaum, membro da Academia Americana de Pediatria, crianças de até 5 anos possuem uma neuroplasticidade elevada.

Ejzenbaum afirma que o início da alfabetização bilíngue por volta dos 4 ou 5 anos é ideal, pois a criança tem uma capacidade acentuada de gravar e entender os dois idiomas simultaneamente.

Segundo o médico, o grande aumento de conexões neurais nesse período acaba vinculando diferentes tipos de inteligência e ampliando a capacidade de compreensão.

"O aprendizado se torna mais fácil e a criança vai aprendendo, pouco a pouco, a falar duas línguas ao mesmo tempo. Não vejo desvantagem nisso."

Juliana Diniz, diretora de negócios da Start Anglo Bilingual School, da Somos Educação, afirma que as diretrizes atuais para esse modelo de ensino preveem uma carga horária em inglês de, no mínimo, 30% da grade curricular.

Segundo ela, habilidades como flexibilidade de pensamento e resolução de problemas complexos são mais acentuadas em jovens que têm acesso à educação bilíngue desde cedo.

O que avaliar antes de escolher a escola

  1. Objetivo da família: se a meta é a fluência plena, verifique se a escola oferece exposição diária ou muito frequente ao idioma. A proficiência exige tempo de exposição contínuo;
  2. Qualificação dos professores: é fundamental questionar a formação do corpo docente. Além do nível de inglês, o professor deve ter preparo pedagógico para ensinar disciplinas específicas na segunda língua;
  3. Ambiente e cultura: observe se o bilinguismo está presente em todo o colégio. A comunicação visual, os livros da biblioteca e os eventos culturais devem contemplar as duas línguas de forma integrada;
  4. Metodologia e planejamento: certifique-se de que a escola possui um currículo articulado. O aprendizado deve ser intencional para garantir que o aluno se desenvolva bem tanto no português quanto no inglês;
  5. Logística e segurança: considere a comodidade de ter o desenvolvimento do segundo idioma dentro da rotina escolar já estabelecida, evitando deslocamentos extras para cursos externos;
  6. Foco em habilidades globais: avalie se a escola propõe vivências culturais que ajudem na formação de um cidadão com visão crítica de mundo.

Considerando esses aspectos, a educação bilíngue pode ajudar na formação da identidade e no desenvolvimento da autonomia, de acordo com Sabrina Almeida Ribeiro, diretora de internacionalização na Global Me School.

Para ela, o aprendizado na infância acontece de forma integrada e fluida, o que facilita o acesso ao repertório de línguas com mais naturalidade do que ocorre com adultos que estão aprendendo. "A educação bilíngue favorece a compreensão de múltiplas perspectivas e fortalece o sentimento de pertencimento a comunidades locais."

As especialistas reforçam que o ensino bilíngue não é um investimento banal, pois exige estrutura específica para formar alunos mais confiantes e autônomos.

"No fim, não é só sobre falar outra língua, mas sobre formar um cidadão capaz de expressar emoções e raciocinar de forma lógica em contextos diversos", diz Juliana Diniz.