Agora candidato, Zema critica STF e diz não ter relação com Master
Declaração ocorreu durante convenção partidária da sigla que oficializou o ex-governador como candidato ao Palácio do Planalto nesta segunda-feira (27)

Confirmado candidato à presidência, Romeu Zema (Novo) reforçou nesta segunda-feira (27) críticas ao STF (Supremo Tribunal Federal) e afirmou não ter relação com o escândalo do Banco Master. Deu as declarações durante convenção partidária que oficializou seu nome na disputa pelo Palácio do Planalto, em Brasília.
"O Brasil, no setor público, carece de bons exemplos. Nós temos aqui o contrário, como essas aberrações que têm acontecido no Supremo Tribunal Federal", disse o agora candidato ao Palácio do Planalto.
Zema ainda afirmou que "alguns ministros do STF" envergonham não só a instituição, mas também o Brasil. Depois, o ex-governador de Minas Gerais mencionou atrito com o ministro do STF Gilmar Mendes, após o magistrado enviar ao ministro Alexandre de Moraes uma solicitação para que Zema seja investigado no inquérito das fake news.
"Estou respondendo com muito orgulho um processo do senhor excelentíssimo Gilmar Mendes. Mas, eu quero frisar aqui: quem andou no jatinho do banqueiro bandido foi ele e os colegas dele. Não fui eu. Quem conseguiu contrato de R$ 129 milhões para uma esposa foi um colega dele. Quem fez uma transação acionário no [Resort] Tayayá foi outro colega dele", pontuou na convenção.
Zema costuma criticar o papel do STF em seus discursos e a se referir aos integrantes do Judiciários como "intocáveis". Na convenção desta segunda, ele defendeu mudanças no Judiciário, como uma idade mínima de 60 anos para ministros e o fim de decisões monocráticas.
Também defendeu uma renovação no Senado para “reequilibrar” forças e levar adiante o possível “impeachment de frutas podres”.
“Temos ali dois ministros envolvidos até o pescoço com o banqueiro bandido e um terceiro, nem tanto, mas envolvido com patrocínios de congressos jurídicos. Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Não tenho o que esconder, não. Não fui que andei no jatinho do banqueiro bandido, foram eles”, disse Zema.
Questionado por jornalistas, Zema evitou dizer se, caso eleito, decretaria um indulto para o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado pelo STF a 27 anos e três meses de prisão no inquérito sobre a tentativa de golpe após as eleições de 2022. O ex-governador defendeu, no entanto, uma revisão de penas a condenados pelos atos de 8 de Janeiro de 2023.
"Quero que o Brasil resolva essa questão das injustiças cometidas referente aos atos de 8 de Janeiro. Temos pessoas que nem sabiam exatamente o que estavam fazendo e que estão detidas. Se houve alguma tentativa de golpe, que haja um julgamento imparcial e não um julgamento político como aconteceu", declarou.
Esta será a terceira eleição disputada por Zema. Empresário, ele foi eleito para dois mandatos como governador de Minas, em 2018 e 2022. Como postulante ao Planalto, o ex-governador tem se posicionado como uma "terceira via", uma alternativa à polarização entre PL e PT.


