Após Flávio alegar fraude, TSE diz que “qualquer pessoa” pode auditar urnas

Tribunal afirma que boletins, registros digitais e logs permitem conferir a votação seção por seção; senador não apresentou provas de irregularidades

Fernanda Fonseca, da CNN Brasil, Brasília

O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) afirmou nesta quarta-feira (28) que “qualquer pessoa” pode baixar os arquivos das urnas e auditar o resultado da eleição. A manifestação ocorreu no mesmo dia em que o senador Flávio Bolsonaro (PL), derrotado na disputa pela Presidência, voltou a alegar fraude no segundo turno sem apresentar provas.

Em texto publicado em seu site, a Justiça Eleitoral destacou que os Boletins de Urna, o Registro Digital do Voto e os logs de cada equipamento estão disponíveis ao público. Os arquivos permitem verificar, seção por seção, o funcionamento das urnas, como os horários de início e encerramento da votação e o número de eleitores que votaram.

"Esses arquivos contêm informações sobre o funcionamento do equipamento, como os horários de início e encerramento da votação e o número de eleitoras e eleitores que votaram. Qualquer pessoa pode baixar os arquivos e auditar os resultados da eleição", diz.

A nota foi divulgada horas depois de Flávio publicar uma carta em que contesta a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e afirma, sem apresentar elementos que sustentem a acusação, ter havido fraude. Na primeira versão, ele se declarava “o verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Minutos depois, apagou a publicação e a substituiu por outra, sem a frase.

Um dos principais argumentos do senador é a decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF (Supremo Tribunal Federal), de prorrogar a votação até as 19h de domingo (25). Segundo Flávio, a extensão teria produzido uma “impossibilidade matemática”, em referência ao crescimento da votação de Lula entre o primeiro e o segundo turno.

Os dados oficiais não sustentam a tese. De acordo com o TSE, 34.393 votos foram computados após as 17h no segundo turno. Lula venceu por cerca de 4,4 milhões de votos de diferença: 64.256.232 (51,79% dos válidos), contra 59.826.041 (48,21%) de Flávio. Mesmo que todos os votos registrados depois das 17h tivessem sido dados ao petista, representariam menos de 1% da vantagem final.

Ainda nesta quarta, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, afirmou que a eleição transcorreu “dentro da mais absoluta normalidade e com respeito aos ditames legais e constitucionais”. Disse também que questionamentos apresentados “dentro do devido processo legal” serão analisados e respondidos.

No domingo, após a proclamação do resultado, ele já havia declarado ter “absoluta segurança” no processo e que a prorrogação não comprometeu o pleito.

O PL, partido de Flávio, reconheceu a vitória de Lula em nota assinada pelo presidente da sigla, Valdemar Costa Neto. O candidato a vice, Alfredo Gaspar (PL-AL), e o governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), também reconheceram o resultado.

Flávio está nos Estados Unidos com a família e disse que pretende liderar a oposição do exterior. Ele deixou o Brasil na terça (27), apesar de decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, que o proibia de sair do país e determinava a entrega dos passaportes. O senador seguiu pela Argentina e chegou a Miami na manhã desta quarta.