Arko Advice: Perdão de Michelle ajuda Flávio, mas falta apoio político

Candidato do PL busca recuperar espaço entre as mulheres, mas ainda enfrenta dificuldades para ampliar alianças no campo da direita

Cristiano Noronha, especial para a CNN Brasil*
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Ao longo da semana, o candidato do PL (Partido Liberal) à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, acumulou uma série de ruídos negativos em sua campanha. Entre eles, estão as declarações sobre as urnas eletrônicas, a divulgação de informações de que teria emitido notas fiscais no valor de R$ 1,5 milhão, com posterior anulação de duas delas, e a abertura de um inquérito pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), André Mendonça, para apurar a aplicação de recursos na produção do filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Apesar desse conjunto de episódios, a campanha encerra a semana com algum alívio. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro divulgou um vídeo em que aceita o pedido de desculpas feito por Flávio, sinalizando que poderá estar ao lado dele ao longo da campanha.

Esse movimento é importante para o candidato do PL. Nos últimos dias, Flávio sofreu desgaste especialmente junto ao eleitorado feminino, e a presença de Michelle pode ajudar na recuperação desse segmento, que terá papel relevante na disputa presidencial.

O fato, porém, é que a campanha ainda enfrenta desafios importantes. Um dos principais está relacionado à construção de alianças e ao apoio político. A federação formada por PP e União Brasil sinaliza que pode adotar uma posição de neutralidade na disputa presidencial. O mesmo movimento é indicado pelo Republicanos.

Uma eventual neutralidade desses partidos seria negativa para Flávio Bolsonaro, pois poderia reforçar a percepção de isolamento da sua candidatura. Esse cenário ganha importância diante da movimentação de outros nomes do campo da direita, como Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão), que buscam ampliar suas bases de apoio.

A disputa por espaço dentro desse campo político já apresenta sinais claros. Um exemplo foi a recente divulgação de uma fotografia de Renan Santos ao lado de Blairo Maggi, representante importante do agronegócio brasileiro, movimento que demonstra a busca por apoios estratégicos entre setores relevantes do eleitorado.

Além da questão das alianças, o inquérito aberto pelo ministro André Mendonça também pode continuar produzindo efeitos políticos. Novos desdobramentos ou notícias negativas relacionadas ao caso podem gerar novos ruídos para a campanha de Flávio nas próximas semanas.

O próximo movimento positivo que a candidatura pretende construir é justamente a escolha do nome para a vice-presidência. A expectativa é que a vaga seja ocupada por uma mulher, estratégia que busca ampliar o alcance eleitoral da chapa.

Apesar dos problemas enfrentados recentemente, é pouco provável um cenário em que Flávio Bolsonaro deixe a disputa presidencial. Essa possibilidade chegou a ser levantada diante dos episódios negativos da semana, mas, neste momento, não aparece como uma hipótese provável.

As pesquisas de intenção de voto divulgadas até aqui continuam apontando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na liderança da corrida presidencial, com Flávio Bolsonaro na segunda colocação. Embora existam diferenças entre os levantamentos, todos indicam essa direção: o candidato do PL permanece como o principal nome da direita e, até o momento, não sofre ameaça de outros concorrentes desse campo político.

*Cristiano Noronha é vice-presidente da consultoria Arko Advice. Este texto foi transcrito em primeira pessoa de análise em vídeo para o WW.