Caiado critica Itamaraty; Renan, fim da 6x1 e Cury defende agro em debate
Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD) se enfrentaram no primeiro debate presencial neste domingo (24)
O segundo bloco do primeiro debate presidencial de 2026 foi marcado por perguntas feitas por jornalistas aos candidatos à presidência da República. Ronaldo Caiado (PSD) criticou a postura do Itamaraty, Renan Santos (Missão) se posicionou contra o fim da escala 6x1 e Augusto Cury saiu em defesa do agronegócio nacional.
Na primeira pergunta, o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) foi questionado sobre sua postura de defesa de que a gestão da segurança pública deveria ser executada pelas unidades federativas e sobre sua opinião a respeito do uso de câmeras corporais em policiais militares.
Caiado aproveitou a pergunta para criticar o cenário atual do país e dizer que o atual governo é conivente com as facções criminosas e "se ajoelhou para o crime". Ele defendeu o uso de IA (inteligência artificial), treinamento dos batalhões, integração das forças de segurança e o respeito à autoridade dos governadores na gestão dessa área.
Renan Santos (Missão) foi o escolhido para comentar a resposta de Caiado e acusou o governo do presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de concentrar o poder na gestão da segurança pública. "O PT tem uma volúpia por poder. O PT quer concentrar o exercício da violência nas mãos dele. Não para atacar bandido. O PT quer segurar a polícia. O PT é inimigo das polícias em todos os estados", afirmou o candidato.
A exemplo do que fez no primeiro bloco, Santos voltou a dizer que pretende fazer intervenções federais nos estados que se recusarem a cooperar com a política de segurança pública adotada em seu eventual governo. "Rio de Janeiro, Ceará, Bahia. Ou eles se enquadram no enfrentamento total ao crime organizado, ou seus governos vão se enquadrar ao Governo Federal, ao Estado de Defesa, à GLO."
Ainda falando sobre o tema, Caiado defendeu a PEC da Segurança Pública, que está em tramitação no Senado, e criticou o fato de Lula condicionar a aprovação da proposta para criar o Ministério da Segurança Pública. O ex-governador de Goiás prometeu ainda a criação de 40 presídios federais, argumentando que os presídios estaduais estão cheios de criminosos faccionados, o que ele defende como sendo um problema de alçada federal. "O Governo Federal joga na mão dos estados e não tem repasse, nem do Fundo Penitenciário, nem do Fundo de Segurança Pública", criticou.
Caiado também citou medidas adotadas por ele em Goiás como elementos-chave para a redução da criminalidade, como a adoção de um scanner corporal, monitoramento ambiental, proibição de visita íntima para faccionados e gravação de visitas com advogados nos presídios. O goiano também voltou a afirmar que terá o promotor Lincoln Gaikya, conhecido por sua atuação no combate ao crime organizado dentro do MPSP (Ministério Público de São Paulo), à frente do Ministério da Segurança Pública e que classificará como terroristas as facções criminosas.
Críticas ao Itamaraty e defesa do agro
Na segunda rodada, Augusto Cury (Avante) foi questionado sobre as relações diplomáticas entre o Brasil e os Estados Unidos. O psiquiatra afirmou que o país não pode ser subserviente aos Estados Unidos, disse que o tarifaço esconde "um desespero para resolver as contas públicas" dos norte-americanos e prometeu repaginar as embaixadas do Brasil pelo mundo.
Caiado foi convidado a comentar e acusou Lula de provocar Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, para se promover e desviar o foco da eleição. Ele também criticou o Itamaraty, dizendo que a atuação diplomática e a chancelaria do Brasil passaram a atuar como porta-voz do PT, em vez de defender os interesses nacionais.
Na esteira do que disse Caiado, Cury saiu em defesa do Brasil, citando as terras raras, a energia renovável, o hidrogênio verde e a agricultura como fortalezas. O candidato falou sobre a saúde mental dos agricultores e apresentou um salto agressivo na produção do setor como elemento-chave para colocar o Brasil no mesmo patamar de países como China e Estados Unidos.
"Nós vamos turbinar a produção agrícola, vamos abraçar vocês, agricultores. Eu sei que vocês estão adoecendo emocionalmente. O índice de depressão entre os agricultores é o dobro da média da população em geral. Se nós dobrarmos a produção de alimentos, de 350 para 700 milhões de toneladas nos próximos 10 anos, vamos sentar de igual para igual com a China, a Índia e os Estados Unidos", declarou.
Debate sobre o fim da escala 6x1
A terceira pergunta foi feita para Renan Santos, que precisou dar sua visão sobre a escala 6x1. O candidato do Missão criticou a proposta que tramita no Senado Federal, que estabelece a escala 5x2, e pediu que o eleitor não acredite na ideia de que é possível "trabalhar menos e ganhar mais".
"O maior inimigo do trabalho falou: 'você vai trabalhar menos e vai ganhar mais'. Este mesmo cara falou que você tinha que comer mais picanha. Este mesmo cara, na maior tranquilidade, falou que ia taxar as blusinhas e os eletrônicos e você não ia pagar o preço. Você acredita? Quando a esmola é demais, o santo desconfia", afirmou Renan ao apontar para o espaço vazio dedicado a Lula, que não foi ao debate.
Santos prometeu promover uma reforma trabalhista que abra margem para que o trabalhador seja contratado por hora de serviço prestado e disse que é do interesse de Lula manter os eleitores desempregados para que eles se beneficiem dos programas sociais e votem nele.
Cury foi o escolhido para comentar a resposta de Renan Santos e usou seu espaço para falar sobre a sobrecarga da classe trabalhadora e defender a escala 5x2. O candidato do Avante também chamou de "desrespeito à democracia" o fato de Lula ter faltado ao debate e ter concedido uma entrevista à Record TV no mesmo horário.
Renan Santos rebateu a fala de Cury, minimizando a estafa dos trabalhadores. Ele defendeu que as pessoas sofrerão mais se não tiverem emprego. "Não é que eu quero que vocês trabalhem muito. Eu quero aumentar a produtividade da economia brasileira, para que você possa ganhar mais por hora. Eu quero que sobre dinheiro para você no fim do mês. Os setores todos vão quebrar. Eu topo perder voto, mas não topo mentir pra você. Não quero que você caia no Bolsa Família pro Lula te tratar feito um escravo."
Ele também criticou a Record por não chamá-lo para as sabatinas com os presidenciáveis, ao mesmo tempo em que abre um espaço para entrevista Lula durante a exibição do debate da Band. "Eu quero saber se eles vão perguntar pro Lula se o filho dele, Lulinha, roubou ou não roubou o nosso dinheiro do INSS. Eu quero saber se a Record vai perguntar pro Lula se o governo dele é ou não é um lugar onde a turma do Banco Master se escora, porque o escândalo do Banco Master surgiu no governo dele", criticou Santos.
Debate esvaziado
Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante) são os únicos candidatos que participam do primeiro debate presidencial das eleições, realizado pela TV Bandeirantes. Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL) e Romeu Zema (Novo) foram convidados, mas não compareceram aos estúdios da emissora em São Paulo.
A campanha de Zema atribuiu a ausência do ex-governador ao não comparecimento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição. "A mudança de data do debate promovido pela Rede Bandeirantes de Televisão de 16/08 para 23/08 havia sido considerada sob a premissa e a expectativa de que o candidato Lula fosse participar, garantindo a pluralidade do encontro. Diante da ausência de Lula e de outros concorrentes, a alteração de data perdeu o seu propósito inicial", afirma a nota.
Como a CNN mostrou, auxiliares de Lula já sinalizavam que a chance de participação era mínima. A campanha sequer retirou as credenciais para o debate. A avaliação é que o petista seria o principal alvo dos demais candidatos elegíveis, nomes da direita e centro-direita. Apesar de não comparecer aos estúdios da TV Bandeirantes, o presidente concedeu uma entrevista à Record TV, cujo horário de veiculação coincide com o do debate.
Já a campanha de Flávio avalia que, sem Lula no palco, não há vantagem em participar do debate porque o senador se transformaria no principal alvo dos concorrentes. À CNN, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, defendeu que Flávio só vá a debates em que tiverem a presença de Lula.
Augusto Cury, por sua vez, anunciou que iria desistir de participar do debate por conta da ausência dos "principais atores" do pleito eleitoral. O anúncio foi realizado momentos antes do início do debate, durante transmissão nas redes sociais na porta da emissora. Na sequência, ele recuou da decisão e informou que participaria do debate "em respeito" à emissora.
Ordem dos candidatos
A emissora realizou um sorteio, com a presença de assessores e coordenadores de campanha. Os posicionamentos foram distribuídos da esquerda para a direita, na visão do telespectador.
A ordem definida colocou Renan Santos (Missão) na primeira bancada à esquerda, seguido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e pelo senador Flávio Bolsonaro (PL). Na sequência, posicionam-se no estúdio Ronaldo Caiado (PSD), Augusto Cury (Avante) e Romeu Zema (Novo), completando a bancada.
Caso algum candidato decida não comparecer, a plataforma reservada a ele ficará vazia.
Como funciona o direito de resposta e quem julga os pedidos?
No início do debate, os mediadores conduz rodadas programáticas com perguntas iguais para todos os participantes, abordando temas centrais da campanha. Nessa etapa, cada candidato tem dois minutos para apresentar suas propostas.
Nas rodadas de perguntas feitas por jornalistas ou nos embates entre candidatos, quem fizer a pergunta tem até um minuto para formulá-la. O candidato questionado conta com quatro minutos para responder, incluindo eventual réplica e tréplica.
Como a lei define os candidatos convidados para o debate presidencial?
A legislação eleitoral considera aptos a participar dos debates os candidatos que pertençam a partidos com pelo menos cinco parlamentares no Congresso Nacional, desde que tenham o registro de candidatura deferido.
O número de participantes e as demais regras do debate são definidos entre os partidos e a emissora, com comunicação à Justiça Eleitoral.


