À CNN, João Campos fala de parceria com PT, segurança e propostas para o PE

Ex-prefeito de Recife é o primeiro sabatinado na série de conversas com os concorrentes ao Palácio do Campo das Princesas

Filipe Pereira, da CNN Brasil*, São Paulo
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A CNN Brasil entrevistou nesta terça-feira (15) o ex-prefeito de Recife e candidato ao governo de Pernambuco, João Campos (PSB). Ele foi o primeiro entrevistado das sabatinas promovidas nesta semana com os candidatos ao Palácio do Campo das Princesas.

Filho do ex-governador do estado, Eduardo Campos, morto em 2014, João é formado em Engenharia Civil e começou sua trajetória política no ano da morte de seu pai, quando entrou no PSB (Partido Socialista Brasileiro).

Em 2018, foi eleito deputado federal por Pernambuco e, posteriormente, eleito e reeleito prefeito de Recife em 2020 e 2024.

No pleito deste ano, João aposta na gestão como chefe do Executivo recifense como bandeira, além de contar com o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em seu palanque.

Durante a sabatina desta terça, o candidato falou de discordâncias entre membros pernambucanos do PT (Partido dos Trabalhadores) à sua chapa ao governo do estado, o que resultou na saída do presidente local da sigla, Osmar Ricardo, que apoia a rival concorrente de João, a atual governadora Raquel Lyra (PSD).

O político falou que o foco da chapa, além do apoio no âmbito local, é promover o palanque para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que tem Geraldo Alckmin, do PSB (Partido Socialista Brasileiro), como seu vice.

Segundo ele, discordâncias e decisões não unânimes fazem parte da democracia e que a composição da chapa foi aprovada pela maioria dos integrantes do PT, o que demonstraria algumas divergências do campo "pessoal".

"Do ponto de vista político, há uma perfeita harmonia e alinhamento, não só aqui em Pernambuco, mas também a nível nacional, com a própria candidatura de Alckmin, o vice-presidente que é do nosso partido. E a construção de mais de 13 palanques no Brasil que a gente fez junto com o PT para o presidente Lula. Além de apoiar o presidente em todos os estados da federação."

"Uma aliança que é para além de uma eleição; é uma aliança de quem acredita que a política deve cuidar de quem mais precisa e de eventuais posições divergentes", completou.

"Facções são a grande chaga da segurança"

Em outro momento da sabatina, João comentou a situação da segurança pública dm Pernambuco, principalmente na ampliação da atuação das facções criminosas na região. Segundo ele, para o combate efetivo de tais grupos é necessária uma agenda técnica e não baseada em um "pilar ideológico".

Algumas das medidas defendidas pelo candidato são on fortalecimento das forças policiais, com repressão qualificada e políticas preventivas, e o monitoramento das divisas do estado. Além disso, ele também mencionou um "esforço nacional contra as facções", em um trabalho conjunto entre os entes federativos.

"As facções são a grande chaga da segurança e da violência nesse momento no Brasil. E o Brasil precisa ter um esforço nacional contra as facções, e os estados precisam estar protagonizando esse papel de enfrentamento", disse.

O candidato mencionou políticas de enfrentamento a outros crimes, como homicídios e roubos, com a necessidade de um aumento na solução desses delitos. Outro ponto mencionado foi o combate à violência contra mulheres, com uma política de "tolerância zero" para crimes do tipo.

"A gente tá pronto para garantir um território hostil ao crime, hostil ao agressor. Isso é garantir liberdade para as pessoas e para as mulheres, para que as pessoas se sintam seguras do nosso estado. Por isso que a gente vai fazer de forma muito firme esse enfrentamento e não vai ficar no discurso, vai ser algo na prática."

Outras propostas para o estado

Sobre educação, João falou de um investimento em escolas de tempo integral, além do ensino técnico, com atualidades e bilíngue para os alunos. Também mencionou o acompanhamento "da primeira infância ao primeiro emprego", com o aumento de creches no estado, o que criaria um ciclo educacional com os estudantes desde o início da vida escolar.

"Quando a gente fala desse ciclo [...], tem um roteiro que é da primeira infância ao primeiro emprego. A gente tá olhando da primeira infância, desde o da creche do berçário até o primeiro emprego gerado na educação técnica ou no ensino superior", declarou.

No âmbito da saúde, o candidato falou da operação em conjunto com o governo federal para a construção de quatro hospitais no estado. Ele destacou também suas propostas para a área econômica, mencionando a busca de investimentos e a entrada de empresas no estado por meio de obras de infraestrutura e incentivos fiscais.

João também defendeu de um acompanhamento do novo regime fiscal com a aprovação da Reforma Tributária, que tem o início de implementação parcial a partir de 2027. Um dos aspectos que sofrerão alterações com as novas regras são exatamente as isenções fiscais.

Segundo ele, o governo tem perdido a liderança para estados da região, sendo necessária uma retomada do "protagonismo" de Pernambuco, como na época do governo de seu pai, Eduardo Campos (PSB), entre 2007 e 2014.

"A gente viveu um tempo de um sonho que era a realidade [em relação ao governo de Campos]. E eu quero resgatar esse protagonismo de Pernambuco", finalizou.

Entrevistas com os candidatos ao governo do PE

Além de João Campos, a CNN Brasil entrevista a atual governadora Raquel Lyra (PSD), que busca a reeleição. As sabatinas são transmitidas pelo YouTube da CNN Brasil às 13h30 e exibidas na TV às 23h30.

A seleção dos entrevistados tem como referência os candidatos mais bem colocados, segundo os dados do Índice CNN, agregador de pesquisas desenvolvido em parceria com o Ipespe Analítica.

Confira a agenda de entrevistas:

  • João Campos (PSB): terça-feira (15);
  • Raquel Lyra (PSD): quarta-feira (16).

*Sob supervisão de João Ker