À CNN, Juliana Brizola fala de alianças, legado do avô e planos para o RS

Nome do PDT gaúcho é a última convidada na série de sabatinas com concorrentes ao Palácio Piratini

Filipe Pereira, da CNN Brasil*, São Paulo
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A CNN Brasil entrevistou nesta segunda-feira (14) a ex-deputada estadual e candidata ao governo do Rio Grande do Sul Juliana Brizola (PDT). Ela foi a última convidada da série de sabatinas promovida pelo canal com os concorrentes ao Palácio Piratini.

Neta do ex-governador Leonel Brizola, Juliana é formada em Direito e foi eleita a seu primeiro cargo político em 2008, como vereadora da capital gaúcha. Em 2010, ela foi eleita deputada estadual e reeleita por mais três mandatos. Concorreu à Prefeitura de Porto Alegre em 2024, mas não obteve sucesso.

Para o pleito deste ano, a candidata fez uma articulação entre partidos de esquerda e centro-esquerda, composta por PDT (Partido Democrático Trabalhista), PT (Partido dos Trabalhadores), PSOL (Partido Socialismo e Liberdade), PCdoB (Partido Comunista do Brasil), PV (Partido Verde)Rede (Rede Sustentabilidade) PSB (Partido Solista Brasileiro) e Avante. Juliana conta também com o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em seu palanque.

Durante a entrevista, a candidata falou da aliança formada para o pleito deste ano e do apoio do PT, que não lançou um candidato próprio, mas sim um vice na sua chapa, o ex-deputado Edegar Pretto. Para ela, tal movimento mostra uma "convergência" e uma "maturidade" dos aliados em sentarem à mesa e se unirem.

"O PT gaúcho sempre teve uma tradição muito forte em ter candidatura própria aqui no Rio Grande do Sul. Acho que isso nunca tinha acontecido, mas vejo também uma maturidade, uma questão de responsabilidade dessa união acontecer", disse.

"Todos pensamos diferente, mas a gente resolveu deixar de lado as nossas diferenças em prol de algo muito maior, que é fazer esse resgate do Rio Grande do Sul", completou, afirmando que Lula pediu ao PT gaúcho que a coalização fosse montada para a criação de um palanque mais amplo no estado.

Ao comentar a polarização gaúcha, Juliana foi questionada sobre apoiar Gabriel Souza (MDB) em um eventual segundo turno contra Luciano Zucco (PL), nome apoiado hoje pelo candidato e senador Flávio Bolsonaro (PL).

"Isso não depende muito de mim, né? Eu sou uma pessoa de partido e o partido é quem vai definir, mas eu não acredito nessa possibilidade. E não é só por conta das pesquisas, é por conta de tudo que a gente tá vendo nas ruas, sobretudo conversando com as pessoas. Então eu não trabalho com essa possibilidade hoje de não ir para o segundo turno", completou.

Brizolismo no RS

Em outro momento da entrevista, a candidata foi questionada acerca da relação do estado com a memória do avô. Para ela, há uma espécie de "saudosismo" do brizolismo — corrente política advinda do pensamento e ações de Leonel Brizola no antigo PTB (Partido Trabalhista Brasileiro) e no atual PDT (Partido Democrático Trabalhista).

"Aqui, no Rio Grande do Sul, significa não só a figura do Brizola, sabe? Mas muito também os valores que o Brizola trouxe para a política ao longo dos seus 60 anos de vida pública", disse.

Ela mencionou que o respeito e as lembranças do político morto em 2004 superam as diferentes correntes políticas e a polarização presente no estado atualmente. Segundo ela, diversas pessoas foram atingidas pela ideologia de alguma forma, o que se reflete no reconhecimento até os dias correntes.

"Seja alguém que acolheu ele na época da fuga [na Ditadura Militar], seja alguém que estudou porque ele deu uma bolsa, seja alguém que estudou nas famosas brisoletas, sempre tem uma história. E olha, eu conheço brisolista de direita, brisolista de centro e brisolista de esquerda", completou.

Propostas para o estado

Juliana Brizola também comentou algumas de suas ideias para o desenvolvimento do estado, principalmente sobre o alto endividamento. Nesse aspecto, ela destacou medidas como a extensão do Funrigs (Fundo do Rio Grande), criado para a reconstrução do estado após os eventos climáticos extremos de 2024.

Também foi defendida a entrada do estado no Propag (Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados), projeto do governo federal para a renegociação dos débitos estaduais com a União. Segundo ela, tal medida possibilita a quitação das dívidas, enquanto o Rio Grande do Sul pode continuar investindo em estruturas e serviços.

"O Propag ele proporciona, quando assinado, que os juros da parcela da dívida que o Rio Grande do Sul deve pagar à União fiquem aqui para investimentos estratégicos, como em saúde, infraestrutura e educação", declarou.

Outro tópico abordado na sabatina foram as privatizações realizadas na atual gestão. Apesar de não se postar contra a venda ou as concessões de serviços públicos para o setor privado, a candidata criticou a falta de fiscalização do cumprimento dos contratos.

Ainda ssim, ela rechaçou uma possível privatização do Banrisul (Banco Estadual do Rio Grande do Sul). Para ela, a instituição, além de possuir uma importância aos gaúchos, é uma instituição de lucro para o estado.

"É um banco estratégico para o desenvolvimento, sobretudo para os pequenos e médios. Então, óbvio que eu vou manter o banco público. É um banco que dá lucro, é um banco que coloca um crédito para o agricultor rural, com juros mais baixos. Então o Banco do Estado do Rio Grande do Sul é um grande ativo. Nós não pensamos em nenhum momento em privatizá-lo", completou.

A política também colocou como prioridade de sua gestão os investimentos em saúde, com a redução das filas de atendimentos; na educação, com mais escolas de tempo integral e melhoria da carreira dos professores; além de melhorias na segurança pública, principalmente no combate à violência contra as mulheres.

"A gente nota que, por exemplo, o RS Seguro [programa de combate à violência], que é esse programa de segurança, que é um bom programa, mas esqueceu completamente as mulheres e as crianças. Houve um aumento muito grande aqui no estado de violência contra mulheres e crianças, os famosos feminicídios", finalizou.

Entrevistas com os candidatos ao governo do RS

Além de Juliana Brizola, a CNN Brasil também entrevistou Gabriel Souza (MDB)Marcelo Maranata (PSDB) Luciano Zucco (PL). As sabatinas foram transmitidas pelo YouTube da CNN Brasil às 13h30 e exibidas na TV às 23h30.

A seleção dos entrevistados teve como referência os candidatos mais bem colocados, segundo os dados do Índice CNN, agregador de pesquisas desenvolvido em parceria com o Ipespe Analítica.

Confira a agenda de entrevistas:

  • Gabriel Souza (MDB): segunda-feira (7);
  • Marcelo Maranata (PSDB): quarta-feira (9);
  • Luciano Zucco (PL): quinta-feira (10);
  • Juliana Brizola (PDT): segunda-feira (14).

*Sob supervisão de Lucas Schroeder