Moro foca em saúde e segurança e fala de relação com Bolsonaro e Lula à CNN

Ex-juiz é o segundo entrevistado da série de sabatinas realizadas com os concorrentes ao Palácio Iguaçu

Filipe Pereira, da CNN Brasil*, São Paulo
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A CNN Brasil entrevistou nesta quarta-feira (2) o senador e candidato ao governo do Paraná pelo PL (Partido Liberal), Sergio Moro. O ex-juiz foi o segundo nome a ser entrevistado na série de sabatinas promovidas pelo canal entre os dias 1º e 3 de setembro.

O candidato ganhou notoriedade no cenário nacional no âmbito das investigações da Operação Lava Jato, que averiguava o esquema de corrupção envolvendo a Petrobras e empreiteiras brasileiras entre 2014 e 2018.

Durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), Sergio Moro pediu exoneração da magistratura para ocupar o Ministério da Justiça até abril de 2020, quando saiu do cargo após um desentendimento com o então presidente sobre interferência política na PF (Polícia Federal).

Em 2022, Sergio Moro foi eleito senador pelo Paraná. À época, estava filiado ao União Brasil. Em março deste ano, o ex-juiz oficializou sua filiação ao PL para concorrer ao governo do estado sulista.

Durante a sabatina desta quarta-feira, Moro falou da reaproximação de Bolsonaro durante o segundo turno das eleições de 2022 e garantiu que o assunto são "águas passadas". O candidato também aproveitou para reafirmar o apoio ao candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL).

"Isso são águas passadas. Em 2022, eu fui eleito senador. No segundo turno, o Bolsonaro ligou para mim, pediu para que eu apoiasse nos debates presidenciais do segundo turno. Eu estive lá, todo o país pôde ver, e deixei muito claramente."

"Mas eu sempre deixei claro as minhas escolhas e as razões pelas quais eu as tenho. Hoje, nós temos o nosso candidato Flávio Bolsonaro, do PL, que é o único que tem condições de derrotar o Lula, e o Brasil não sobrevive mais quatro anos do governo Lula", completou.

Durante a entrevista, o candidato também falou da relação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e afirmou que, caso o petista vença, espera que o Paraná seja governado por alguém de oposição. Apesar disso, Moro também demonstrou um clima de diálogo entre os Executivos estadual e federal, caso ambos sejam eleitos.

"As pessoas estão fartas do Lula. Mas, se acontecer o pior para o país [a vitória do presidente], é melhor que nós tenhamos no Palácio do Iguaçu alguém que não seja o aliado do Lula, seja esse o candidato da esquerda aqui no Paraná, do PT e do PDT, ou seja, essa frente ampla do Centrão que sempre deu apoio ao Lula nesses quatro anos" declarou.

Propostas com foco na segurança e educação

Ao apresentar as propostas de um futuro governo, Moro destacou o âmbito da educação e da segurança como dois tópicos principais. Um dos aspectos que conecta os dois tópicos são as escolas cívico-militares, defendidas pelo candidato, que afirmou que o modelo tem apresentado "bons resultados".

"Isso tem levado a maior disciplina dentro das escolas e, com isso, também aumentado o rendimento escolar. Normalmente a presença de policiais militares ali dentro são policiais da reserva ou em tempo fazendo alguma espécie de expediente, trabalho fora ali do expediente, mas a grande maioria é o pessoal mesmo da reserva. Então não é uma afetação das forças de segurança. Nós queremos manter esse modelo e queremos ampliá-lo", disse.

Além da manutenção do modelo de ensino, Moro também falou da ampliação de colégios integrais de ensino médio no estado, com ampliação de capacitação para que os alunos saiam das instituições direcionadas ao mercado de trabalho.

Outro ponto destacado pelo senador foi a valorização dos professores, sendo essa uma reclamação apontada por ele que é direcionada à atual gestão de Ratinho Júnior (PSD).

"Minha mãe era professora do ensino público, médica, lá do Gastão Vidigal, Instituto de Educação, na minha cidade de Maringá. Meu pai era professor universitário da Universidade Estadual de Maringá. E nós vamos ter uma política assim de valorização dos professores que não têm sido ouvidos. Essa é uma reclamação generalizada que não tem sido ouvida na atual gestão."

"Forças-tarefa ao estilo da Lava Jato"

Já em relação à segurança pública, Moro defendeu que o Paraná fique "em primeiro lugar" em segurança no país. Uma de suas propostas é a criação de forças-tarefa nos moldes da Operação Lava Jato, com integração de diversos entes.

"A minha experiência e a credibilidade que a gente construiu com 22 anos de magistratura, como ministro da Justiça e Segurança Pública, nos dão habilidade para definir quais são os passos necessários. Um deles vai ser a criação de forças-tarefa ao estilo da Lava Jato, integrando as diversas forças policiais do estado para nós desmantelarmos as gangues e facções que estão aqui no nosso estado e podemos com isso derrubar a taxa de violência e de crimes também patrimoniais dentro do nosso estado", completou.

Além disso, o candidato do PL também falou na criação de um presídio de segurança máxima no estado, destinado a criminosos locais. Além de chefes de facção, Moro defendeu que sejam encarcerados nesta instituição assassinos de policiais e feminicidas.

Após trazer o ministro de Segurança Pública de El Salvador ao país na última semana, o senador falou em nomear a instituição de encarceramento com o nome do país caribenho como forma de homenagem.

"Nós queremos ter o nosso presídio estadual de segurança máxima sem celular, cela individual, cárcere duro, contato com o mundo exterior monitorado, porque as visitas vão ser apenas no parlatório. E com isso nós conseguimos neutralizar não só os líderes que coloquemos lá nesse presídio federal, mas igualmente mandar um recado ao mundo do crime, que a regra do jogo mudou no Paraná", finalizou.

Entrevista com os candidatos do PR

Além de Sergio Moro, a CNN Brasil conversa nesta semana com Requião Filho (PDT)Sandro Alex (PSD). A seleção dos entrevistados tem como referência os candidatos mais bem colocados segundo os dados do Índice CNN, agregador de pesquisas desenvolvido em parceria com o Ipespe Analítica.

Confira a agenda de entrevistas com os candidatos ao governo do PR:

  • Requião Filho (PDT): terça-feira (1º);
  • Sergio Moro (PL): quarta-feira (2);
  • Sandro Alex (PSD): quinta-feira (3).

*Sob supervisão de João Ker