À CNN, Arruda fala de inelegibilidade, crise do BRB e propostas para o DF

Ex-governador participa de sabatina realizada pelo canal com os concorrentes na corrida ao Palácio do Buriti

Filipe Pereira e Helena Prestes, da CNN Brasil*, São Paulo
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A CNN Brasil entrevistou nesta terça-feira (18) o candidato ao governo do Distrito Federal pelo PSD (Partido Social Democrático), José Roberto Arruda. O ex-governador participou da série de conversas com os candidatos do DF, promovida pelo canal entre os dias 17 e 20 de agosto.

Apesar do anúncio oficial em 1º de agosto, Arruda ainda conta com a candidatura incerta devido à condenação do político pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça) por improbidade administrativa no âmbito da Operação Caixa de Pandora.

A inelegibilidade por 8 anos do ex-governador foi determinada em 2014, com possibilidade de uma nova suspensão de direitos políticos por 12 anos. A partir da decisão judicial, Arruda não seria apto a concorrer ao Palácio do Buriti em 2026.

A dúvida da chapa esbarra na mudança na Lei da Ficha Limpa a partir da Lei Complementar 184 de 2021, que alterou o esquema de contagem do prazo de inelegibilidade, com a mudança nos entendimentos do início do período de vigor do prazo fora dos pleitos.

Sem uma decisão definitiva do STF (Supremo Tribunal Federal) sobre todos os pontos envolvendo a aplicação das alterações impostas pela Lei da Ficha Limpa, a admissibilidade da candidatura depende da situação de cada um dos processos que Arruda enfrenta na Justiça, podendo concorrer conforme liminar concedida.

Questionado sobre a condenação e o status eleitoral, o político rebateu que "eu estou elegível, minha candidatura está cadastrada".

Durante a entrevista, Arruda defendeu o entendimento da nova resolução de 2021 e criticou o posicionamento da atual governadora Celina Leão (PP) sobre sua situação política, ao acusar a política de "puxar o tapetão".

"Celina, é o seguinte, aceita que dói menos, vamos disputar nas urnas, para de querer me tirar no tapetão, que feiura. Olha, eu estou elegível, a minha candidatura está registrada", comentou.

Arruda acredita na continuidade da chapa e espera que nada mude durante o pleito. Em seu entendimento, perante a nova resolução, o prazo de bloqueio eleitoral se extinguiu em 2022.

"A Lei 219/25, aprovada na Câmara, no Senado, sancionada pelo presidente, diz no seu, no parágrafo oitavo do artigo primeiro, que os oito anos dele, a elegibilidade, começam a contar na primeira decisão de segundo grau, que foi junho de 2014, venceu em junho de 2022. Ainda que algum recurso meio pendente saia da gaveta, sim, por exemplo. Entretanto, nessa véspera de eleição, nada muda", declarou.

Crise do BRB

Durante a entrevista, o candidato fez uma análise da atual crise do BRB (Banco de Brasília). O político criticou a postura da atual mandatária, Celina Leão (PP), na renegociação das dívidas do banco e prometeu mudanças estruturais caso eleito.

"Quebraram o BRB, gente. BRB é um banco de 60 anos, que sempre foi bem administrado. Era um banco regional de Brasília e do entorno. Aí, meteram o pé pelas mãos", declarou.

A proposta do político é enxugar a instituição, com o foco como um órgão de fomento regional, com o fechamento de agências em outros estados, extinção da sala VIP no aeroporto de Brasília e o fim dos patrocínios a times de fora da capital e a outros eventos, como a Fórmula 1.

Outro ponto defendido por Arruda é o de utilizar o FCO (Fundo do Centro-Oeste) para aplicações no banco. Além disso, o político defendeu as conversas junto ao governo federal para a renegociação das dívidas do BRB, "qualquer que seja o próximo presidente".

"Só se justifica o BRB como um banco de fomento para incentivar as pequenas e médias empresas do Distrito Federal e do entorno, não para ter agência em Dubai, Nova Iorque, virou uma loucura", completou.

Investimentos em saúde e educação

Dentre as críticas feitas pelo ex-governador à atuação do atual governo, estão a condução da educação pública e da saúde no DF. Segundo o político, "Brasília vive um mau momento", sendo necessário o resgate de feitos e referências passados.

"Brasília não era para ser só uma cidade bonitinha, com cara de capital, era para ser modelo de políticas públicas, de educação, de saúde, de segurança. E, durante um certo tempo, foi, mas agora, infelizmente, vive um mau momento", declarou.

Em seus planos, o político apresentou propostas de construção de novas escolas de tempo integral na região, com atividades e refeições aos alunos durante o dia. Além disso, Arruda defendeu a construção de hospitais de câncer e alta complexidade, além da contratação de mais profissionais concursados, algo que desejou que acontecesse em seu primeiro dia de governo.

"Eu quero voltar ao modelo da fundação hospitalar que funcionava no governo do [Joaquim] Roriz e no meu governo. Agora, acho que a saúde pública deve ser pública. No dia da minha posse, se for da vontade de Deus que eu volte ao governo, eu quero tomar posse com todos os médicos, enfermeiros e auxiliares de enfermagem concursados", completou.

Segurança Pública

O ex-governador também defendeu uma política na segurança pública mais focada e com gestão e utilizou como exemplo o modelo do ex-governador e candidato à Presidência da República, Ronaldo Caiado (PSD), em Goiás.

"A segurança pública de Brasília sempre foi exemplar. Hoje nós temos moradores de rua praticando assaltos e violência durante o dia", disse.

Em seus planos, o candidato defendeu a proposta de "polícia na rua", com a reconstrução de postos policiais, que, segundo ele, foram destruídos nas últimas gestões no DF. Outro ponto destacado por Arruda é a função do GDF na proteção dos Três Poderes, ponto que ele vê que o governo atual "falhou", principalmente durante os ataques de 8 de Janeiro.

"O governador de Brasília é governador e prefeito. Ao mesmo tempo que ele tem que fazer asfalto, esgoto, metrô, hospital, nas 35 cidades que compõem o Distrito Federal, ele tem também a missão, como governador institucional, de receber os poderes da República e de dar a esses poderes as melhores condições de trabalho, sem bagunça, com ordem, com segurança", completou.

Entrevista com candidatos ao governo do DF

Nos próximos dias, a CNN Brasil entrevistará Leandro Grass (PT) e Ricardo Cappelli (PSB). A seleção dos entrevistados tem como referência os candidatos mais bem colocados, segundo os dados do Índice CNN, agregador de pesquisas desenvolvido em parceria com o Ipespe Analítica.

Confira a agenda de entrevistas com os candidatos ao governo do DF:

  • Celina Leão (PP): segunda-feira (17);
  • José Roberto Arruda (PSD): terça-feira (18);
  • Leandro Grass (PT): quarta-feira (19);
  • Ricardo Cappelli (PSB): quinta-feira (20).

A cobertura completa da CNN Brasil nas eleições de 2026 também contará com entrevistas de candidatos à Presidência no programa WW, comandado pelo jornalista William Waack, além dos debates presidenciais, no dia 23 de setembro, e para o governo de São Paulo, no dia 18 de setembro, organizados pelo consórcio Momento da Decisão.

O pool reúne 11 veículos de comunicação: CNN Brasil, SBT, RedeTV!, Exame, Terra, Metrópoles, Rádio Itatiaia, Nova Brasil FM, Rede Vida, SBT News e VEJA+ TV.