À CNN, Requião faz críticas a adversários, fala de propostas e apoio do PT
Deputado estadual abre série de sabatinas com os postulantes ao Palácio Iguaçu
A CNN Brasil entrevistou nesta terça-feira (1º) o candidato ao governo do Paraná pelo PDT (Partido Democrático Trabalhista), Requião Filho. O deputado estadual foi o primeiro a participar da série de sabatinas com os concorrentes ao estado, promovida pelo canal entre os dias 1º e 3 de setembro.
Filho do ex-governador do estado Roberto Requião (PDT), Maurício Thadeu de Mello e Silva é advogado de formação e atua na política desde 2014, quando foi eleito deputado estadual no Paraná. Está em seu terceiro mandato na Assembleia Legislativa do estado.
Esta é a primeira vez que o político concorre ao Palácio do Iguaçu, com o ex-deputado estadual e ex-secretário de Saúde do estado Michelle Caputo (Solidariedade) como vice na chapa.
Um dos pontos de questionamento ao candidato foi acerca da chapa de Requião neste ano, que conta com o PT (Partido dos Trabalhadores), que possui rejeição no estado. Segundo o político, o apoio da sigla "não atrapalha de maneira nenhuma" em sua candidatura e fez questão de reforçar o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
"Não atrapalha de maneira alguma meus planos, até porque o Lula e o PT nos apoiam aqui no Paraná e o apoio é recíproco, levando em consideração que a opção é o Flávio Bolsonaro, filho de Jair Messias Bolsonaro, aquele pessoal antivacina, anticiência e pró-Estados Unidos contra o Brasil", disse.
Nas eleições de 2022, o partido lançou Ronaldo Requião (filiado ao PT na época) na corrida ao Palácio do Iguaçu. O ex-governador perdeu para Ratinho Junior (PSD) no 1º turno do pleito, com 26,23% dos votos contra 69,64% do atual mandatário.
Apesar do apoio neste ano, o candidato garantiu que, caso eleito, não deve se resguardar de críticas a um possível governo federal chefiado por Lula a partir de 2027. Da mesma forma, o deputado afirmou que, independentemente de qual presidente ocupe o Planalto, não irá passar "pano para ninguém".
"Eu sou crítico ao governo petista, mesmo tendo apoio do PT. Inclusive, é algo que marca muito tanto a minha trajetória quanto a trajetória do meu pai, que a gente não passa pano para ninguém. Se a gente discorda, a gente fala por que a gente discorda, a gente fala qual é o caminho que nós acreditávamos ser o certo e o que deveria ser feito para que esse caminho fosse seguido."
"Independente de partido, independente de presidente, nós seremos críticos a qualquer proposta que esteja vindo do governo federal, do Congresso Nacional ou de qualquer outro lugar que prejudique o Paraná ou não traga os benefícios devidos ao estado, colocando o povo do Paraná de uma maneira preterida aos demais estados e ao resto da população brasileira", completou.
Investimento em educação e segurança
Dentre os destaques das propostas de Requião Filho estão a educação e a segurança pública. Um ponto de interseção das duas áreas são as escolas cívico-militares, instituições das quais o candidato defendeu o fim.
Para o político, o formato apresentado nas instituições do tipo "não é um modelo pedagógico" e "não faz sentido". Desta forma, a solução apresentada seria deslocar os agentes para o patrulhamento nas regiões dos colégios e promover debates educativos entre a corporação com os pais e alunos.
Além da separação entre escolas e agentes de segurança pública, o candidato defende a valorização dos alunos e dos profissionais, com concursos públicos para gerar estabilidade, além de incentivos à formação continuada. Também foram mencionadas medidas de investimentos em infraestrutura e escolas de tempo integral.
"A minha preocupação com a educação, que eu vou mudar a educação do Paraná, é o cuidado com a educação de verdade. O aluno tem que estar na escola e passar de ano por mérito, não para que o governo atinja números bonitos no IDEB e faça propaganda. O aluno tem que sair da escola sabendo interpretar um texto, sabendo somar 2 + 2, mas sabendo o seu valor como cidadão", declarou.
O candidato também defendeu o aprimoramento do efetivo policial, com a contratação de mais homens, reestruturação dos treinamentos e pagamentos mais atrativos aos agentes. Outro ponto de prioridade dado por Requião é o investimento em acolhimento psicossocial aos membros da corporação para evitar baixas.
Críticas aos adversários
Durante a entrevista, o candidato fez críticas à gestão do atual governador, Ratinho Junior, e, em especial, aos contratos de privatização no estado, como na educação e da Copel (Companhia Paranaense de Energia).
Segundo o candidato, o chefe do Executivo paranaense teria desistido da candidatura à Presidência da República por conta das irregularidades no contrato da venda da companhia de energia e prometeu um "pente fino" nos documentos.
Além disso, ele falou que "o que vai muito bem aqui no Paraná é a propaganda", em relação às peças publicitárias do estado e faltas de ações concretas.
"Perdemos o controle da Copel e da Celepar [Companhia de Tecnologia da Informação e Comunicação do Paraná], que têm aumentado e muito o custo Paraná. O que vai muito bem aqui no estado do Paraná é a propaganda. E a propaganda deles dá até vontade de manter a equipe de comunicação", disse.
O deputado também aproveitou para criticar os posicionamentos e ausência nos debates de Sérgio Moro (PL) e Sandro Alex (PSD), seus principais concorrentes nas urnas. Apesar de falar que "não trabalha com oponentes", o candidato demonstrou um interesse de confronto com o ex-juiz em um possível segundo turno.
"Eu deixo sim o debate com o Sérgio Moro para o segundo turno, quando ele terá que me enfrentar. Ele não poderá mais fugir dos debates como tem feito hoje. E parece que virou moda aqui no Paraná fugir de debate do último debate, tanto Sérgio Moro quanto Sandro Alex fugiram", completou.
Entrevista com os candidatos do PR
Além de Requião Filho, a CNN Brasil entrevistará nesta semana Sérgio Moro (PL) e Sandro Alex (PSD). A seleção dos entrevistados tem como referência os candidatos mais bem colocados segundo os dados do Índice CNN, agregador de pesquisas desenvolvido em parceria com o Ipespe Analítica.
Confira a agenda de entrevistas com os candidatos ao governo do PR:
- Requião Filho (PDT): terça-feira (1º);
- Sérgio Moro (PL): quarta-feira (2);
- Sandro Alex (PSD): quinta-feira (3).
A cobertura completa da CNN Brasil nas eleições de 2026 também contará com entrevistas de candidatos à Presidência no programa WW, comandado pelo jornalista William Waack, além dos debates presidenciais, no dia 23 de setembro, e para o governo de São Paulo, no dia 18 de setembro, organizados pelo consórcio Momento da Decisão.
O pool reúne 11 veículos de comunicação: CNN Brasil, SBT, RedeTV!, Exame, Terra, Metrópoles, Rádio Itatiaia, Nova Brasil FM, Rede Vida, SBT News e VEJA+ TV.
*Sob supervisão de Lucas Schroeder


