"Dá um Google" e "9 dedos": veja frases marcantes do debate Flávio x Lula

Candidatos trocaram acusações sobre economia, nível de conhecimento do país, promessa de picanha e relação com Daniel Vorcaro

Vitor Oliveira, colaboração para a CNN Brasil, São Paulo

O debate presidencial do segundo turno entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), realizado pela TV Globo nesta sexta-feira (23), foi mais propositivo, mas houve espaço ainda para troca de acusações entre os candidatos. 

Ao longo dos blocos, os candidatos discutiram temas como custo de vida, endividamento, saneamento básico, saúde e segurança pública, mas também recorreram a ironias e ataques pessoais para questionar o adversário.

Veja frases que marcaram o confronto e entenda o contexto em que foram ditas:

Flávio Bolsonaro: “Dá com uma mão e tira com os nove dedos”

No primeiro bloco, ao discutir o salário mínimo e a proposta de tarifa zero no transporte público aos fins de semana, Lula perguntou se Flávio era favorável à gratuidade. O senador respondeu que apoiava a medida, mas criticou a política econômica do governo petista.

“Se você dá com uma mão, tira com os nove dedos”, afirmou Flávio, em referência à cobrança de impostos.

Ele acusou o governo de aumentar a carga tributária e reduzir o poder de compra dos brasileiros por meio da inflação. A frase também fez alusão à perda de um dedo da mão esquerda de Lula em um acidente de trabalho, quando ele era metalúrgico.

Lula: “Não vou permitir que um miliciano me chame de nove dedos”

No bloco seguinte, Lula cobrou desculpas pela expressão "nove dedos" usada por Flávio.

"Não vou permitir que um miliciano me chame de nove dedos. Não vou permitir", disse Lula.

"Ele vai ter que pedir desculpa. Porque o povo trabalhador está vendo. Milhões de trabalhadores se acidentam por irresponsabilidade patronal que obriga a gente a trabalhar em jornada que a gente não tem que trabalhar. Eu era de menor e trabalhava à noite", continuou o presidente.

Na sequência, Flávio pediu desculpas pelo uso da expressão e continuou com as críticas ao presidente.

“Se eu te ofendi por ter começado, eu só te peço desculpa de verdade. Não queria te ofender. Peço desculpa de verdade. Agora eu quero saber se você vai pedir desculpas para os moradores de rua que dobraram”, disse o senador.

Flávio Bolsonaro: “Quem governa o Brasil: você ou o Google?”

A provocação veio na sequência da discussão sobre os investimentos na região Norte. Depois de Lula recomendar que o adversário consultasse o Google, Flávio questionou se o presidente precisava recorrer à ferramenta para responder sobre as ações de seu governo.

“Lula, quem é que governa o Brasil? É você ou o Google?”, perguntou o senador.

Na sequência, ele voltou a defender investimentos em saneamento básico e afirmou que pretendia retomar a meta de ampliar o acesso aos serviços até 2033.

Lula: “Não conhece o Brasil” e “Ô, galera, dá um Google aí”

Ao falarem sobre a região Norte, Flávio questionou Lula sobre saneamento básico e investimentos na região.

Lula afirmou que Flávio não conhecia suficientemente o país e citou obras e ações do governo federal no Amazonas.

"Eu conheço o Brasil. Você não conhece o Brasil. Não conhece", disse Lula.

Lula citou investimentos feitos por seu governo no Amazonas e em outras regiões do país, sugerindo que Flávio consultasse o Google para conhecer as ações realizadas.

"Pergunta pro Google tudo que nós fizemos no Amazonas nesses últimos anos. É só perguntar no Google pra não ficar aqui falando muito número", sugeriu Lula.

O presidente voltou a fazer a mesma sugestão de "dar um Google" em outros momentos do debate.

Flávio Bolsonaro: “Prometeu picanha e entregou abóbora”

Ao discutir o endividamento dos brasileiros, Flávio criticou a política econômica de Lula e a promessa de melhorar o poder de compra da população. A frase foi usada para contrapor a expectativa de acesso a alimentos mais caros, como a picanha, à dificuldade de comprar comida relatada por famílias brasileiras.

"O meu concorrente prometeu picanha e entregou abóbora. Chegou ao ponto de falar a seguinte frase: 'Se a comida está cara, não compra'. Lula, você está achando a comida barata para o povo brasileiro que está endividado?", questionou Flávio.

Lula: “Ele inventou que quem tomasse vacina ia virar gay, ia virar jacaré”

Ao discutir a atuação do governo de Jair Bolsonaro (PL) durante a pandemia de Covid-19, Lula criticou a postura do ex-presidente em relação à vacinação e à condução da crise sanitária.

"Ele inventou que quem tomasse vacina ia virar gay, virar jacaré. Ele inventou remédio para beber, a cloroquina. Muita gente morreu por irresponsabilidade. É importante que as pessoas saibam", disse Lula sobre Bolsonaro.

O presidente também acusou o governo anterior de minimizar a gravidade da pandemia e afirmou que profissionais do SUS arriscaram a própria vida para atender a população.