Daniella Marques vê "processo conturbado" e cobra respostas "com seriedade"

Coordenadora econômica na campanha de Flávio Bolsonaro (PL) afirma que o país "precisa de paz" após as eleições

Jonatas Martins, da CNN Brasil, Brasília

A administradora Daniella Marques, que coordenou a área econômica da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), afirmou nesta segunda-feira (26) que o processo eleitoral foi "conturbado" e disse esperar "respostas com seriedade". Ela se posicionou nesta manhã após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e defendeu que o país precisa de "paz" após as eleições.

"Como brasileira, também espero que as perguntas que surgiram ao longo desse processo conturbado sejam respondidas com seriedade. O Brasil merece transparência, respeito e confiança nas instituições. O Brasil precisa de paz", disse Marques em publicação nas redes sociais.

A coordenadora da campanha do PL afirmou que irá prosseguir buscando um país onde as "famílias vivam em segurança" e as pessoas tenham caminhos para prosperar. "Hoje, os problemas continuam: insegurança nas ruas, juros altos, famílias endividadas, o carrinho de compras cada vez mais vazio. A realidade não mudou com o resultado", afirmou

No domingo (25), o presidente Lula superou o próprio recorde como o chefe do Planalto mais votado na história do Brasil.

Segundo o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), com 100% das urnas apuradas, o petista obteve 64.256.232 votos válidos, 51,79% do total. Adversário derrotado, o senador Flávio Bolsonaro somou 59.826.041 votos, 48,21%. Com o resultado, o candidato do PL ficará sem mandato eletivo pela primeira vez em 24 anos a partir de fevereiro de 2027.

Flávio não reconhece vitória de Lula

Apesar dos dados oficiais e do reconhecimento da vitória do PT por autoridades e partidos políticos, Flávio disse, ainda na noite de domingo, que pedirá anulação das eleições.

"É impossível reconhecer o resultado das eleições no contexto em que essas coisas aconteceram; vamos pedir anulação dessas eleições", disse o candidato em referência a prorrogação do horário de votação.

A prorrogação foi determinada pelo ministro Cristiano Zanin, do STF (Supremo Tribunal Federal), após pedido da Coligação Brasil Pronto Pra Mais, do presidente Lula. Na ação, o grupo alegou que prefeituras da Bahia e de São Paulo reduziram significativamente a frota de ônibus em circulação durante o segundo turno, prejudicando o deslocamento de eleitores.

Flávio Bolsonaro também havia acionado o TSE para prorrogar a votação em São Paulo, Paraná e Santa Catarina em razão das condições climáticas.

"Às 17h01, o ministro Zanin, que não faz parte do Tribunal Superior Eleitoral, atropelando a Justiça especializada, toma uma decisão prorrogando por duas horas as eleições, isso nunca tinha acontecido na história do Brasil. Houve uma quebra total de isonomia entre os brasileiros de diversas cidades e diferentes estados", disse Flávio.

Segundo ele, a campanha já acionou o setor jurídico para a análise de providências. "A gente não está aqui para brincadeira. Não vou aceitar que a regra do jogo tenha sido mudada em cima do jogo, pelos amigos do Lula no Supremo Tribunal Federal", completou.

TSE descarta eleição comprometida

O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, afirmou na noite de domingo que a decisão do STF de prorrogar a votação até às 19h não comprometeu o processo eleitoral. “Volto a dizer: não houve nenhuma alteração advinda da decisão judicial. Temos absoluta confiança em todo o processo eleitoral”, declarou.

Em declaração a jornalistas, Nunes Marques disse, no entanto, que a medida exigiu mudanças nas rotinas de apuração e reforço na segurança de servidores e mesários em todo o país, gerando "dificuldades" ao TSE.

Segundo o ministro, milhares de urnas já haviam sido encerradas quando a decisão foi tomada.

Como a programação dos equipamentos impede a reabertura, o tribunal precisou bloquear temporariamente o recebimento dos Boletins de Urna para garantir que as informações sobre a votação não fossem acessadas antes do momento adequado.

Apesar dos obstáculos operacionais, o ministro afirmou que as medidas adotadas pela equipe técnica permitiram dar continuidade à apuração sem comprometer a eleição.