De olho nas eleições, Lula e Flávio intensificam movimentações políticas

Pré-candidatos à Presidência dedicaram os últimos dias para fechar alianças estaduais; Caiado entrou na corrida eleitoral após oficialização da pré-candidatura

Leonardo Ribbeiro, da CNN Brasil, Brasília
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Os dois pré-candidatos à Presidência com melhor desempenho nas pesquisas eleitorais ampliaram nos últimos dias agendas estratégicas para fortalecer seus projetos políticos. Enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) investiu em viagens e anúncios de obras para consolidar palanques regionais, em especial no Nordeste, o senador Flávio Bolsonaro (PL) apostou em articulações internacionais e eventos conservadores para ampliar visibilidade e alianças.

Lula começou a semana entregando obras do Ministério da Educação, em Brasília. Depois foi a Fortaleza, no Ceará, para celebrar os dois anos do programa Pé-de-Meia, que paga uma bolsa as estudantes do ensino médio para que permaneçam na escola. O presidente também inaugurou obras no Campus do ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica).

O presidente esteve acompanhado do governador do estado, Elmano de Freitas, e do ministro da Educação, Camilo Santana - ambos do PT. Ao longo de 2025, Lula esteve no Ceará três vezes para eventos relacionados a investimentos automotivos, educação e inauguração de hospital. Ao todo, o presidente soma 10 visitas a cidades cearenses desde que tomou posse, em 2023.

Nesta quinta-feira (2), Lula visita a obras de mobilidade urbana em Salvador, na Bahia. Entre elas a implantação do VLT (veículo leve sobre trilhos), na Praça Onze de Dezembro, onde um trecho já funciona em testes operacionais. No local, também ocorre a assinatura da ordem de serviço para obras na linha 1 do metrô, investimento que soma R$ 1,52 bilhão.

Flávio Bolsonaro esteve no fim de semana nos Estados Unidos, onde participou da CPAC (Conservative Political Action Conference). O senador afirmou que o governo Lula agiu para evitar que “dois maiores cartéis de drogas do Brasil fossem classificados como organizações terroristas”. A menção faz referência ao PCC (Primeiro Comando da Capital) e ao CV (Comando Vermelho).

Flávio também falou sobre minerais críticos. Segundo o senador, atualmente, os EUA dependem da China para cerca de 70% das importações dos minerais. Ele reforçou que as terras raras são fundamentais para os processadores de computador, sobretudo em relação ao desenvolvimento de inteligência artificial, e equipamentos americanos de defesa.

Na quarta-feira (1º), Flávio participou da filiação do deputado federal Mendonça Filho (PE) ao PL. Recentemente, o parlamentar ganhou destaque por ser designado relator da PEC (Proposta de Emenda Constitucional) da Segurança Pública. A proposta atualmente tramita no Senado Federal.

Outros dois nomes que buscam o lugar de terceira via na disputa presidencial também se movimentaram nos últimos dias em meio à pré-campanha. O ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), iniciou a semana com a oficialização da sua pré-candidatura pelo PSD durante um evento na sede do partido em São Paulo.

Logo depois, na terça-feira (31), passou a faixa do governo de Goiás para o seu vice, Daniel Vilela (MDB).

Na cerimônia de transmissão do cargo, Caiado enviou um recado aos candidatos sem experiência de gestão durante discurso e afirmou que “não se aprende a governar na Presidência”.

"Democracia não é imposição de sua verdade, é governar e dizer que não aceitamos mais esse tipo de constrangimento. Despoluir. Não se governa no enfrentamento, se governa buscando a paz, as pessoas… De forma justa, respeitosa, assim que se governa", disse Caiado.

O pré-candidato Romeu Zema (Novo) apostou na presença digital nas redes sociais nesta semana para se aproximar do eleitorado e tem trabalhado internamente na sua proposta para a presidência.

A CNN apurou que o ex-governador prevê lançar um plano econômico de governo no dia 16 de abril em um evento em São Paulo.

A proposta é baseado em "cinco pilares” e prevê reformas trabalhista e previdenciária, além da privatização de todas as estatais federais, incluindo Petrobras, Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil.

Os pontos principais do plano envolvem a eliminação do conjunto de obstáculos burocráticos e econômicos do país em quatro anos; flexibilização de regras trabalhistas; redução no tamanho do Estado; queda do juro e da inadimplência; e abertura para o comércio exterior.