Direita monitora Raquel para tentar conquistar palanque para Flávio em PE
Governadora mantém situação em banho-maria enquanto disputa apoio de Lula com João Campos

A direita monitora os passos eleitorais da governadora de Pernambuco Raquel Lyra (PSD) para tentar conquistar um palanque ao senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) no estado.
Raquel conta com o apoio da direita pernambucana para tentar se reeleger no pleito de outubro. No entanto, ela não dá garantias de que apoiará Flávio. A governadora mantém a situação em banho-maria enquanto disputa o apoio do presidente Lula (PT) com seu adversário, João Campos (PSB).
A governadora conseguiu construir uma coalizão de espectro amplo, que passa pela simpatia da direita, do centro e até de petistas – e, agora, está na expectativa de um gesto favorável de Lula, tanto pelas características do eleitorado pernambucano quanto pelo histórico político dela.
João Campos, por sua vez, é lulista declarado e tido como o candidato oficial da esquerda em Pernambuco. No entanto, ele também tem buscado acenos mais claros do presidente em seu favor.
Pesquisa Datafolha desta semana mostra que Raquel aparece com 48% das intenções de voto em um cenário de primeiro turno, contra 43% de Campos. Em simulação de segundo turno, a governadora registra 51%, enquanto o ex-prefeito de Recife soma 44%.
Lula e Campos conversaram nesta quinta-feira (28), em Brasília. O presidente teria reafirmado a defesa de um palanque único do PT em torno do candidato e procurou transmitir segurança ao aliado diante do revés na pesquisa recente. Não houve, no entanto, uma demonstração pública de Lula para apoio imediato somente a Campos até o momento – o que deixa Raquel também à espreita.
O PL gostaria de contar com o apoio explícito de Raquel a Flávio. Mas, diante da situação, o partido considera retribuir apenas com um apoio branco -- uma espécie de suporte implícito de Flávio a ela, também sem se comprometer tanto.
"Não queremos quem não nos quer", buscou minimizar um aliado de Flávio à CNN Brasil, embora as pesquisas indiquem que o pré-candidato não conta com uma outra opção de candidato ao governo de Pernambuco realmente viável.
Mais um fator de indefinição para Flávio é que o PSD, sigla de Raquel, também tem o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado como pré-candidato à Presidência.
Por conta da encruzilhada, o entorno de Flávio vislumbra uma campanha mais focada no apoio de senadores e deputados. Aliados minimizam a projeção de um palanque reduzido e dizem que toda a dificuldade "já estava no preço" do desenho eleitoral de Pernambuco.
No entanto, nem os nomes ao Senado defendidos por Raquel e Flávio são os mesmos, por exemplo.
Raquel pretende apoiar Túlio Gadêlha (PSD) e Miguel Coelho (União Brasil) ou Eduardo da Fonte (PP). No entanto, sua relação com da Fonte anda estremecida e a governadora também acompanha com cuidado o avanço de investigações sobre possíveis irregularidades envolvendo emendas relacionadas a Coelho.
Flávio está ao lado de Anderson Ferreira (PL), embora haja dúvidas se este realmente se lançará ao Senado.
Já alguns dos principais nomes bolsonaristas a deputado federal, como Mendonça Filho (PL) e Gilson Machado (Podemos), estão na base tanto de Flávio quanto de Raquel.
As articulações prosseguem, mas a tendência é que decisões definitivas só sejam tomadas mais perto das convenções partidárias, entre meados de julho e o início de agosto.



