Do campo à urna: lembre os craques da Seleção que migraram para a política
Lista de jogadores que usaram a amarelinha e apostaram na carreira pública após pendurarem as chuteiras

Com a aposentadoria nos campos, muitos jogadores de futebol continuam a carreira no campo como treinadores, dirigentes ou em outras funções nos bastidores. Entretanto, muitos escolhem um caminho alternativo e decidem trocar as chuteiras pelas urnas e apostam em uma nova carreira na política. É o caso de alguns dos maiores craques que já passaram pela Seleção Brasileira e se espalharam pelos poderes Executivo e Legislativo, do nível municipal ao federal.
Nem mesmo o rei Pelé passou ileso pelo mundo da política e assumiu o cargo de ministro dos Esportes durante o governo FHC (Fernando Henrique Cardoso) entre 1995 e 1998.
Durante sua gestão, o então ministro propôs a Lei nº 9.615/1998, que depois ficou conhecida como Lei Pelé. O texto estabeleceu novas diretrizes para os contratos de trabalho dos jogadores e a liberdade de escolha na movimentação entre clubes.
"O jogador de futebol acumula durante a sua carreira algo muito importante chamado visibilidade pública. O jogador de futebol já tem isso por estar o tempo inteiro na mídia e por possuir uma relação afetiva com parcelas do eleitorado", destaca Eduardo Grin, cientista político e professor da FGV EAESP (Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas).
Grin aponta também que o jogador já conta com prestígio e admiração do público, status social e acesso a redes de contatos com empresários e patrocinadores. Além disso, por acumularem capital financeiro no decorrer de suas carreiras, esses valores podem ser convertidos em verbas para a campanha, paralelamente ao fato de a própria imagem e notoriedade do ex-atleta atrair doadores .
"Fama não é a mesma coisa que capital político"
O professor observa, porém, que "fama ou notoriedade pública não são a mesma coisa que capital político". Ou seja, mesmo com nomes fortes no mundo do futebol, muitos ex-jogadores não conseguem sucesso em suas empreitadas na política.
"Existem alguns fatores que ajudam a distinguir isso: o eleitor admira o atleta, mas não o vê, necessariamente, como alguém preparado para governar ou legislar. É tipo aquela coisa: o cara foi um baita jogador, mas é um péssimo treinador, ou o contrário", diz Grin.
Outro fator que pode justificar uma derrota nas urnas envolve a dispersão da fama daquele atleta pelo país, o que não gera uma força eleitoral na região específica em que ele se candidata. Não ser um bom cabo eleitoral ou ter rivais em campo concorrendo simultaneamente pela mesma vaga também pode afastar o eleitor daquele candidato.
"Pode ser que o clube no qual ele foi originado seja de outra cidade, ou que na cidade atual haja candidatura de um time rival, ou ainda que ele não seja bem visto naquela localidade por alguma razão", explica o professor. "A dispersão geográfica do voto acaba, em algum sentido, prejudicando a candidatura de alguns jogadores."
Confira abaixo uma lista com jogadores da Seleção Brasileira que se aventuraram na política:
Quem conseguiu se eleger:
- Romário: um dos nomes que continuam ativos no cenário nacional, o craque esteve presente durante a conquista do tetracampeonato em 1994, nos Estados Unidos. Na política, o "Baixinho" foi eleito deputado federal pelo Rio de Janeiro em 2010, e duas vezes como senador, em 2014 e 2022. Seu mandato atual vai até 2031, pelo PL (Partido Liberal);
- Bebeto: atualmente deputado federal do Rio de Janeiro pelo PP (Partido Progressistas), o atacante, que também já atuou como treinador, esteve ao lado de Romário na conquista do tetra e foi vice-campeão durante a Copa de 1998. Na política, também foi eleito vereador por seis vezes na cidade de São João de Meriti (RJ), entre 2000 e 2020;
- Danrlei: em seu quarto mandato como deputado federal pelo PSD (Partido Social Democrático) do Rio Grande do Sul, o craque também atuou como secretário estadual de Esporte e Lazer, em 2021. Pela seleção canarinho, fez parte da equipe que conquistou o bronze nas Olimpíadas de 1996;
- Túlio Maravilha: conhecido pelos seus mil gols, o ídolo do Botafogo foi eleito vereador em Goiânia (GO), em 2008, além de tentar uma candidatura a deputado estadual em 2010, mas não alcançou o número suficiente de votos. Em 2011, Túlio renunciou à carreira política para voltar ao esporte;
- Marcelinho Carioca: com passagem curta na seleção durante os anos 1990, o "Pé de Anjo" foi eleito como suplente de deputado federal em 2010 por São Paulo, assumindo a titularidade do cargo em 2015 devido a uma renúncia de Márcio França, que foi eleito vice-governador de São Paulo à época. Chegou a assumir a Secretária de Esportes de Itaquaquecetuba em 2020, além de tentar outras candidaturas como vereador e deputado, mas não obteve êxito.
Os que tentaram, mas não conseguiram:
- Luizão: apesar de ter sido reserva e atuado em apenas dois jogos da Seleção durante a conquista do pentacampeonato de 2002, o craque teve seu nome marcado pelo título. Na política, o jogador não teve sorte e perdeu o pleito de 2018, quando concorreu a deputado federal por São Paulo;
- Zé Carlos: ex-lateral que substituiu Cafu na semifinal da Copa de 1998, o jogador tentou uma vaga como deputado estadual em São Paulo, mas não conseguiu.
Pré-candidatos neste ano:
- Luis Fabiano: o ex-centroavante e ídolo do São Paulo anunciou sua pré-candidatura a deputado federal pelo MDB (Movimento Democrático Brasileiro) neste ano. Pela Seleção Brasileira, o ex-jogador conquistou a Copa América, em 2004, além da Copa das Confederações, em 2009. Por Copas do Mundo, participou da edição de 2010;
- Edmundo: o "Animal" lançou a pré-candidatura no estado do Rio de Janeiro pelo PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira). Pela Seleção, Edmundo participou da Copa América nas edições de 1995 e 1997, levando o título nesta segunda. Ele também esteve no banco da equipe pentacampeã de 2002.
*Sob supervisão de João Ker


