É muito grave ministro ser consultor jurídico de Vorcaro, diz Zema à CNN
Ex-governador disse que, em qualquer outro país, o envolvimento de Moraes com o ex-banqueiro não seria caso de demissão, mas de prisão
Em entrevista à CNN nesta sexta-feira (4), o candidato do Novo à Presidência da República, Romeu Zema, disse que é "estarrecedor" um ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) ser "consultor jurídico do maior bandido do Brasil". A declaração faz referência ao relatório da PF (Polícia Federal) divulgado nesta semana, que mostra troca de conversas entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
O ex-governador de Minas Gerais afirmou ser a favor "que se apure tudo" em relação ao caso e que quem teve proximidade com Vorcaro "precisa se explicar".
"Em qualquer outro país, não seria questão de demissão, mas de prisão", opinou. "Em Brasília, estenderam o tapete vermelho para ele."
Na última terça-feira (1), André Mendonça, ministro da Corte, determinou a quebra de sigilo de um relatório da PF sobre a relação entre Moraes e Vorcaro, do Banco Master.
Mendonça ainda indicou que vai levar ao plenário da Corte os novos elementos apresentados pela corporação. Segundo ele, o interesse público nas informações justifica que o caso passe a tramitar de forma aberta.
A fala de Zema na entrevista se refere a uma das conversas que constam no relatório, na qual Vorcaro chegou a consultar Moraes se precisaria sair do país dois dias antes de ser preso pela PF.
Na quinta-feira (3), após a decisão de Mendonça, Moraes usou o inquérito das Fake News para acusar o ministro de crimes e pediu que o presidente do tribunal, Edson Fachin, abra uma ação contra o colega.
As acusações usam como base relatórios de inteligência da PF sobre a atuação de André Mendonça nas operações que investigam fraudes ligadas ao INSS e ao Banco Master.


