Eleições: TRE-PA classifica como ‘caótico’ cenário após extensão da votação
Tribunal orientou que locais com eleitores na fila continuem a votação até as 19h; onde os boletins de urna já foram enviados, não há possibilidade de retomada.

O Tribunal Regional Eleitoral do Pará (TRE-PA) classificou como um “cenário caótico” a situação provocada pela decisão de estender o horário de votação neste domingo (25), dia do segundo turno das eleições no Brasil.
Durante coletiva de imprensa, o diretor-geral do tribunal, Bruno Giorgi Almeida, explicou que a orientação é manter a votação até as 19h nos locais onde ainda há eleitores na fila. Já nas seções em que a votação foi encerrada e os boletins de urna foram enviados, não é possível retomar o procedimento.
Segundo Almeida, a extensão do horário gerou dificuldades operacionais em um estado com grandes dimensões territoriais e desafios de comunicação entre os locais de votação e a Justiça Eleitoral.
“É um cenário caótico, de crise, vamos dizer assim. O Pará é um estado de dimensões continentais. Embora a gente tenha internet e satélite de baixa órbita, a gente não consegue ter uma celeridade tão grande em avisar os locais de votação”, afirmou o diretor-geral.
O gestor também explicou que, até o momento da coletiva, o TRE-PA ainda não havia sido formalmente intimado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a decisão. Diante da situação, o tribunal orientou que os locais que já haviam encerrado a votação às 17h mantivessem o procedimento concluído, enquanto aqueles que ainda tinham eleitores aguardassem novas orientações e dessem continuidade à votação.
Dificuldades de comunicação
O secretário de Tecnologia da Informação do TRE-PA, Edivaldo Gaspar, também destacou as dificuldades para fazer a informação chegar a todos os locais de votação em tempo hábil.
Além da quantidade de seções eleitorais, ele citou a existência de locais de votação em territórios indígenas e comunidades ribeirinhas, onde a comunicação pode ser mais complexa.
Segundo Gaspar, o intervalo entre a divulgação da decisão e a chegada das informações oficiais à Justiça Eleitoral dificultou a transmissão das orientações de maneira eficiente.
“É um cenário totalmente imprevisto, onde os nossos procedimentos obviamente não estavam prevendo nem esperando esse tipo de decisão”, declarou.
Ocorrências com urnas eletrônicas
No último balanço divulgado pelo TRE-PA, foram registradas 23 ocorrências relacionadas a urnas eletrônicas que exigiram a substituição dos equipamentos, por problemas diversos, incluindo travamentos.
Belém concentrou o maior número de registros, com nove ocorrências. Em seguida, aparecem Óbidos, com três; Ananindeua e Canaã dos Carajás, com duas cada. Também houve substituições de equipamentos em Marabá, Porto de Moz, Paragominas, Concórdia do Pará, Juruti, Castanhal e Goianésia do Pará.
Denúncias de crimes eleitorais
O balanço da Corregedoria Regional Eleitoral do Pará também apontou ocorrências relacionadas a crimes eleitorais em cinco municípios.
Em São João da Ponta e Paragominas, houve uma prisão em flagrante em cada município por uso de celular na cabine de votação. Em Capitão Poço e Medicilândia, foram registradas ocorrências pelo mesmo motivo, mas sem prisão em flagrante. Já em Barcarena, um eleitor que entrou embriagado em um local de votação precisou ser retirado. O caso foi registrado sem prisão, segundo o tribunal.
Pardal: denúncias
O aplicativo Pardal, ferramenta da Justiça Eleitoral para receber denúncias de irregularidades na campanha, contabilizou 284 registros com origem em 46 municípios paraenses.
A maioria das denúncias estava relacionada à propaganda eleitoral na internet e em vias públicas.


