Foi a campanha menos organizada que participei desde 1989, diz Lula
Em reunião com parlamentares aliados, presidente apontou desorganização na mobilização partidária e cobrou nova estratégia digital para o segundo turno da eleição
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou a organização da campanha eleitoral deste ano em encontro com parlamentares nesta quarta-feira (8). Segundo o chefe do Executivo, a derrota no primeiro turno é fruto da desorganização do partido na mobilização.
"Nós temos uma classe trabalhadora que não quer carteira, que quer trabalhar por conta própria. Temos que lidar com isso. Fizemos uma campanha aquém da minha possibilidade. Eu disse para o Edinho [Silva, presidente do PT] que essa foi a campanha menos organizada que participei desde 1989 e a gente colhe o que planta", afirmou.
O presidente se reuniu com parlamentares eleitos no campo da esquerda para traçar uma nova estratégia mirando o segundo turno. Compareceram os novos deputados e senadores eleitos com maior número de votos no país, entre eles a mineira Ana Elisa (PT), eleita para a Câmara como a segunda mais votada do partido no estado e mais votada da legenda no país.
A paulista Érika Hilton (PSOL-SP) também compareceu ao encontro. Parlamentares mais jovens criticaram a postura do presidente nas redes sociais durante o primeiro turno e afirmam que sem uma nova estratégia na campanha digital o resultado não será diferente.
No encontro, Lula afirmou ainda que não conseguia enxergar uma derrota nessa eleição, devido às entregas feitas nos últimos quatro anos. "Estranhei não ganhar a eleição ou a menos ficar à frente", afirmou.
O presidente ainda reforçou que se o partido fizer "o que precisa", não há motivo para não ganhar a eleição.
"Essas eleições eu não conseguia enxergar a gente perdendo, por conta das nossas entregas. Mas não foi suficiente para que uma parcela da população compreender o que fizemos. Estranhei não ganhar a eleição ou a menos ficar a frente. Se a gente fizer o que precisa, não há porque a gente não ganhar a eleição, pelo retrocesso do nosso adversário."
Como a CNN mostrou, o presidente também adotou nova estratégia para redes sociais nesta quarta. O mandatário, que resistia a gravar em selfie por exemplo, publicou vídeos no formato em suas redes sociais seguindo orientação de aliados.


