Fortalecido, Tarcísio prepara mudar secretariado para contemplar aliados
PSD pode perder espaço na próxima gestão, enquanto Ricardo Salles deve ganhar cargo de alto escalão

Reeleito governador de São Paulo no primeiro turno, Tarcísio de Freitas (Republicanos) começa a desenhar a composição do secretariado para o segundo mandato com uma nova correlação de forças entre os partidos da coalizão. Segundo aliados do governador, o PSD, de Gilberto Kassab, deve perder espaço na próxima gestão, embora a legenda ainda deva permanecer no primeiro escalão.
A avaliação entre interlocutores de Tarcísio é de que a força política de Kassab não se confirmou durante o processo eleitoral. Um aliado próximo do governador afirma que prefeitos ligados ao presidente nacional do PSD demonstraram maior alinhamento com Tarcísio do que com a estrutura partidária.
Kassab liderou a candidatura de Ronaldo Caiado (PSD) à Presidência da República, mas o movimento não se refletiu em uma maior influência do partido dentro da coalizão que sustenta o governo paulista. A tendência, segundo aliados, é de redução do espaço do PSD na próxima gestão.
Um dos nomes que devem ganhar espaço na nova composição é o de Ricardo Salles. Segundo interlocutores, o ex-ministro deve receber um cargo de alto escalão no próximo governo Tarcísio.
A possível ida de Salles para o governo, porém, não fez parte da negociação que levou o deputado a desistir da candidatura ao Senado, segundo aliados de ambos. Na ocasião, Salles abriu mão da disputa e passou a apoiar Guilherme Derrite e André do Prado, que acabaram eleitos para o Senado por São Paulo.
O entendimento naquele momento era de que a retirada da candidatura ajudaria a composição política do grupo de Tarcísio. A discussão sobre um eventual cargo para Salles surge depois do resultado eleitoral e da avaliação de que a estratégia adotada durante a campanha funcionou.
União Brasil terá nova interlocução
Outro partido que deverá passar por uma reorganização na relação com o governo paulista é o União Brasil.
Segundo aliados de Tarcísio, a presença do partido junto ao governador deverá ser orientada pelo presidente nacional da legenda, Antônio Rueda. A intenção é que a interlocução política com o Palácio dos Bandeirantes passe por outros atores do União Brasil, reduzindo o peso de indicações ligadas ao grupo da família Leite.
A mudança ocorre após a prisão de Milton Leite, principal cacique do União Brasil em São Paulo. Leite foi preso em agosto, no âmbito de uma investigação sobre corrupção e lavagem de dinheiro, e perdeu espaço nas articulações políticas do partido no estado.
A expectativa, segundo interlocutores, é que o novo desenho do União Brasil no governo seja construído sem que as indicações da legenda tenham como principal origem o grupo político de Leite.
A Secretaria da Saúde também deve passar por mudança no segundo mandato. Segundo interlocutores do governo, Eleuses Paiva não deverá permanecer no comando da pasta.
A saída de Eleuses também representaria uma redução adicional do espaço do PSD na estrutura do governo paulista.
A montagem do novo secretariado ainda pode provocar uma dança das cadeiras no Palácio dos Bandeirantes. Há expectativa de que quadros que migraram do governo federal para São Paulo após a derrota de Jair Bolsonaro em 2022 possam retornar à esfera federal caso Flávio Bolsonaro vença a eleição presidencial, abrindo vagas para novas escolhas de Tarcísio.
Outro nome que circula nas conversas para ocupar espaço na próxima gestão é o do ex-governador Rodrigo Garcia, hoje no Republicanos. A possibilidade, porém, enfrenta resistências dentro do grupo político de Tarcísio.
O MDB também deverá ser contemplado na nova composição. O partido ganhou peso na estrutura política do governador depois que Felício Ramuth deixou o PSD para permanecer como vice de Tarcísio na chapa à reeleição.
A expectativa é de que as mudanças sejam definidas nas próximas semanas, a partir da nova correlação de forças estabelecida depois da eleição.
Procurada, a assessoria do Palácio dos Bandeirantes não comentou.


