Guimarães diz que Flávio não tem "mérito" para ser presidente da República

Ministro da SRI acredita que bolsonarista vai "desidratar" até as eleições de outubro

Duda Cambraia, Isabel Mega e Luciana Amaral, da CNN Brasil, Brasília
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O ministro da SRI (Secretaria de Relações Institucionais), José Guimarães, defendeu que Flávio Bolsonaro (RJ), pré-candidato a presidência da República pelo PL (partido liberal), não tem "mérito" para ser chefe do executivo.

Guimarães ainda afirmou que o governo não se preocupa com o resultado das pesquisas eleitorais, que indicam um crescimento de Flávio. O ministro acredita que o nome bolosonarista vai "desidratar" antes do pleito.

"Tenho muita consciência que a campanha nem começou ainda, vai chegar a hora da onça beber água e vamos desidratar esse opositor nosso, porque ele não tem mérito para ser presidente da República em um momento como esse. O Brasil precisa de estabilidade", afirmou Guimarães durante café com jornalistas nesta quinta-feira (16).

Guimarães ainda disse que Lula já montou uma coordenação de campanha e que o time está definindo as estratégias para o pleito de outubro

"Pelo que eu conheço, pela relação que eu tenho com o presidente Lula e pelo o que eu vejo desse outro candidato, não vai segurar", afirmou Guimarães.

Estados decisivos

Segundo o ministro, os três estados que decidem as eleições são São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

"Rio está resolvido. A supresa positiva é São Paulo. Haddad cresceu bem, está bem. Com a Simone senadora, a outra vaga vai ser indicada já já. Ganhar as eleições em São Paulo talvez seja, para mim, as prioridades das prioridades do PT. Se resolver bem Minas, com a indicação do Pacheco, teremos um palanque potente", disse Guimarães.

Segundo o ministro, em Minas Gerais, o que falta é "Pacheco dizer que é candidato. A hora que ele disser, o palanque já está montado".

Guimarães acredita que a definição no estado mineiro vai se resolver nos "próximos dias".

Quando perguntado sobre a possibilidade do deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG), que disputou o segundo turno das eleições de 2014 com a ex-presidente, Dilma Rousseff (PT), aparecer no palanque de Lula no estado, Guimarães não negou e afirmou que "a prioridade é Pacheco. Tudo mais embaixo será ajustado com os interesses do Pacheco".

Pacheco é apontado como o "plano A" do PT para disputar o governo do estado, mas não confirmou a candidatura. O senador e Lula se reuniram em fevereiro no Palácio do Planalto. Na ocasião, o presidente teria prometido “fazer de tudo” para viabilizar a candidatura do senador.

Posse de Guimarães

José Guimarães (PT-CE), então líder do governo na Câmara dos Deputados, tomou posse na terça-feira (14) como ministro-chefe da SRI (Secretaria de Relações Institucionais).

A cerimônia aconteceu no Palácio do Planalto e contou com a presença do presidente do Senado e do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União-AP), e do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB).

A SRI estava sob comando interino do secretário-executivo Marcelo Costa desde a saída da então ministra Gleisi Hoffmann. Gleisi deixou o cargo no dia 3 de abril, dentro do prazo de desincompatibilização, para disputar uma vaga no Senado pelo Paraná.

A pasta foi a única das 17 trocas ministeriais a ficar sem um sucessor. A demora, segundo interlocutores do Planalto, se deu pelo fim da janela partidária e pelos acertos iniciais nos estados.

No terceiro mandato do presidente Lula, a secretaria foi chefiada, inicialmente, por Alexandre Padilha, que deixou a pasta para assumir o ministério da Saúde. Com isso, Gleisi assumiu a articulação política do governo em março de 2025. Na reta final do mandato, Guimarães assume a SRI.