Haddad critica segurança em SP e diz que Muralha Paulista é "uma fraude"

Programa da gestão Tarcísio de Freitas prevê a integração de câmeras, leitores de placas e sistemas de reconhecimento para monitoramento e combate ao crime em tempo real

Filipe Pereira, da CNN Brasil*, Gabriela Piva, da CNN Brasil, São Paulo

O candidato ao governo de São Paulo pelo PT (Partido dos Trabalhadores), Fernando Haddad, voltou a criticar a gestão de segurança pública comandada no estado por Tarcísio de Freitas (Republicanos) e, em especial, ao programa Muralha Paulista, ao qual chamou de "fraude".

O programa integra tecnologias de monitoramento, inteligência artificial e banco de dados com o objetivo de reforçar a segurança e o combate à criminalidade em tempo real. A ferramenta foi oficialmente implementada pela atual gestão em setembro de 2024.

Na avaliação do petista, apesar do Muralha Paulista, não houve avanços tecnológicos no estado, o que demonstra a necessidade de uma modernização da estrutura de monitoramento.

"Então nós vamos ter que modernizar o estado e, infelizmente, nesses 4 anos, nós não adquirimos nenhuma tecnologia de ponta. Nenhuma. O Muralha Paulista é uma fraude", disse durante agenda na cidade de Ourinhos, no interior paulista.

Em uma entrevista na semana passada, Haddad já havia feito críticas à política de segurança pública de Tarcísio de Freitas. Na ocasião, o candidato falou da letalidade policial durante o atual governo, que registrou um aumento de 80%.

À época, Haddad também criticou o programa Muralha Paulista, que recebeu cerca de R$ 600 milhões em investimentos, segundo o candidato. Para ele, o programa não apresentou resultados. “Não resultou em nada. Nada”, afirmou.

Em contraponto às críticas, o candidato falou da necessidade de uma cooperação federativa no combate ao crime organizado. Dentre as frentes de investimentos para esse combate, o ex-ministro da Fazenda mencionou o investimento em tecnologias, principalmente contra crimes digitais.

"Sem uso da cooperação federativa, sem uso de inteligência artificial, nós vamos perder para o crime organizado que tá usando a inteligência artificial contra nós. Inclusive nos crimes digitais, os golpes digitais estão sendo dados por 'Zap', são fruto também de inteligência artificial", completou.

Outro lado

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública do estado afirmou que o Muralha Paulista cobre 97% da população paulista e já auxiliou na captura de 15 mil pessoas. Segundo a pasta, desde 2023, o investimento em inteligência policial superou R$ 1,7 bilhão.

O órgão também comentou a proposta de ampliar a cooperação entre diferentes forças de segurança, afirmando que realizou 541 operações conjuntas com a Polícia Federal e o Ministério Público desde o início do atual mandato.

Confira a nota na íntegra

Desde o início da atual gestão, o Estado de São Paulo tem ampliado a capacidade operacional das polícias e a integração entre as forças de segurança para enfrentar um crime cada vez mais organizado, tecnológico e financeiramente sofisticado. Desde 2023, foram investidos mais de R$ 1,7 bilhão em inteligência policial, ferramentas de investigação, integração de bases de dados, tecnologia e operações conjuntas. Essas ações contribuíram para resultados históricos, como os menores índices registrados no Estado em homicídios dolosos, latrocínios e roubos em geral.

Um dos principais eixos dessa política é o Muralha Paulista, que reúne 125,5 mil sensores e alcança 613 municípios, dos quais 231 estão totalmente integrados. A rede cobre 97% da população paulista. Com uso de inteligência artificial para reconhecimento facial e leitura de placas, o sistema já auxiliou na captura de mais de 15 mil pessoas.

A tecnologia também sustenta programas específicos de combate aos crimes patrimoniais. O SP Carga contribuiu para uma redução de 29,7% nos crimes relacionados a cargas no primeiro semestre deste ano, na comparação com o mesmo período de 2025. No mesmo intervalo, o SP Mobile ajudou a reduzir em 20,1% os roubos de celulares e possibilitou a devolução de mais de 10,3 mil aparelhos às vítimas. Já o Recupera SP, voltado ao bloqueio e à recuperação de recursos provenientes do crime, monitora R$ 136 milhões, dos quais R$ 40,2 milhões já estão depositados em conta.

A integração com outras instituições também ampliou a capacidade de enfrentamento às estruturas do crime organizado. Desde 2023, foram realizadas 541 operações conjuntas com a Polícia Federal e o Ministério Público. No mesmo período, o Laboratório de Tecnologia contra Lavagem de Dinheiro identificou R$ 23,7 bilhões em fluxos financeiros ilícitos, enquanto o prejuízo imposto às organizações criminosas já supera R$ 3,4 bilhões.

O Estado também ampliou o uso das Câmeras Operacionais Portáteis (COPs). O número de equipamentos cresceu 50% e chegou a 15 mil neste ano.