Justiça manda PF apurar origem de cartaz que cita marido de Raquel Lyra
Imagem divulgada faz referência à morte de Fernando Lucena, marido da governadora

A Justiça Eleitoral determinou, nesta sexta-feira (4), a investigação por parte da PF (Polícia Federal) sobre a origem da imagem de uma cartaz que faz referência à morte do empresário Fernando Lucena, marido da governadora e candidata à reeleição Raquel Lyra (PSD).
A Justiça atendeu inicialmente ao pedido feito pela coligação Pernambuco de Coração, de Raquel Lyra, e, depois, à petição apresentada pela Frente Popular de Pernambuco, do também candidato ao governo João Campos (PSB).
A governadora foi às redes sociais repudiar os cartazes e, depois, foi à Justiça pedir a investigação sobre uma suposta prática de crimes eleitorais.
A campanha de Campos também repudiou os cartazes e decidiu acionar a Justiça para ampliar o processo de investigação sobre a origem das imagens. Segundo a alegação da equipe, há elementos indicativos de vínculos profissionais entre membros do perfil @Bastidor.PE, que divulgou as imagens dos cartazes, e a equipe de comunicação de Lyra, especificamente o videomaker Leonardo Malafaia, que teve seu nome excluído do site.
"A sucessão desses atos — retirada do nome do rol de autores e apagamento, na mesma noite, de artigos que registravam sua autoria, logo após a repercussão de
seu vínculo com a campanha — constitui indício objetivo e grave de possível supressão de vestígios digitais e de tentativa de comprometimento das fontes probatórias", informou o documento apresentado pela coligação Frente Popular de Pernambuco.
Dessa forma, a Justiça pediu à PF que identificasse o autor da fotografia do cartaz divulgado pelo portal e se realmente existiu e foi exibido em Recife.
"Analisando-se os autos, verifica-se que as informações trazidas pela Coligação Frente Popular de Pernambuco revelam elementos objetivos e documentalmente
demonstrados que justificam a atenção imediata deste Juízo", informou o documento da decisão.
"A apuração da origem da imagem é relevante para esclarecer se o cartaz efetivamente existiu e foi afixado em espaço público ou se a fotografia constitui produto de edição, montagem ou fabricação digital (...). Além disso, as modificações que teriam ocorrido no site após o início da controvérsia, especialmente a exclusão de matérias e a retirada do nome de um de seus autores, caracterizam risco concreto de perecimento ou alteração de elementos probatórios armazenados em ambiente digital".
A juíza também determinou que a corporação identificasse o autor da fotografia, seus detalhes, quem encaminhou o arquivo e se houve intervenção antes da publicação. Além de um exame pericial do arquivo.
Desta forma, a justiça estabeleceu que o portal encaminhe as informações em até 48 horas e também pediu à Meta, responsável pela plataforma Instagram, que deverá preservar o arquivo original.
Em nota, a Coligação Pernambuco de Coração informou que a decisão da Justiça Eleitoral se trata de um pedido “complementar feito por outras partes, dentro deste mesmo processo, que é de nossa autoria”. A campanha afirmou ainda que segue confiando “na atuação das instituições do Judiciário e nas Polícias Civil e Federal para elucidar a situação, encontrar e punir os culpados”.
Leia a nota na íntegra
A Coligação Pernambuco de Coração entrou com o primeiro processo solicitando à Justiça Eleitoral investigações acerca do caso dos cartazes apócrifos espalhados pelo Centro do Recife (Número 0600007-28.2026.6.17.0008)
Esta decisão trata de um pedido complementar feito por outras partes, dentro deste mesmo processo, que é de nossa autoria. Seguimos confiando na atuação das instituições do judiciário e nas Polícias Civil e Federal para elucidar a situação, encontrar e punir os culpados.
É do interesse de todos e fundamental para a manutenção do processo democrático que estas práticas não sejam toleradas sob nenhum aspecto.


