Lula defende investigar Moraes, mas evitará explorar tema nas redes

Campanha petista evitará menções diretas ao julgamento e a ministros da corte

Danilo Moliterno e Isabel Mega, da CNN Brasil
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Integrantes da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à reeleição são enfáticos em aconselhar para que o petista defenda a abertura de uma investigação e que isso é feito em relação ao próprio filho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.

Há um questionamento no núcleo duro do PT, no entanto, sobre a utilização da crise na disputa presidencial. A alegação é de que o principal opositor, o senador Flávio Bolsonaro (PL) usa os desdobramentos no Supremo Tribunal Federal para alimentar um viés de confirmação de teorias que o bolsonarismo difunde sobre a corte desde a trama golpista.

A campanha de Lula evitará menções diretas ao julgamento do STF desta terça-feira (15), mas explorará, ao longo do dia nas redes sociais, falas em que o mandatário pede "investigações doa a quem doer".

Integrantes do QG de Lula indicam, sob condição de reserva, que não faz parte da estratégia usar cortes do julgamento ou citar ministros nominalmente. O STF realiza sessão que vai analisar o relatório da PF (Polícia Federal) sobre as mensagens trocadas entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Aliados do presidente afirmam que a crise beneficia Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e esperam que o candidato à Presidência explore o julgamento. Como reação, o QG de Lula argumenta que o senador tenta "esvaziar" o tribunal que o investiga no caso "Dark Horse".

O programa de Lula na propaganda eleitoral na TV e rádio desta terça-feira também não deve citar o tema. Serão abordados temas como custo de vida, segurança, educação e soberania, de acordo com relatos de fontes ouvidas pela CNN.

Lula reage à crise

Na última quinta-feira (10), o PT convocou uma reunião de emergência para discutir a crise no STF, os impactos para a campanha do presidente Lula e as medidas de reação.

A avaliação interna do partido é de que a conjuntura mudou completamente após a eclosão da crise e de que é preciso um freio de arrumação na campanha diante dos resultados pessimistas das últimas pesquisas.

Após a discussão, a sigla publicou uma resolução interna em que reforça a defesa de uma reforma do Judiciário e abrirá discussões sobre a adoção de mandatos para os ministros do STF e de outras cortes superiores.

Antes, Lula já havia recalibrado seu discurso, passando a cobrar investigações e a quebra "completa" do sigilo do caso do Banco Master. O PT chegou a ir ao STF com essa demanda.