Lula e Flávio chegam à eleição com discurso de vitória em 1° turno

Presidente e candidato à reeleição, busca diminuir a abstenção de eleitores, enquanto o senador e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro apela a pedidos do voto útil

Danilo Moliterno e Luciana Amaral, da CNN Brasil, São Paulo e Rio de Janeiro
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Os dois candidatos à Presidência que aparecem à frente nas pesquisas de intenção de votos, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), chegam neste domingo (4) com um discurso de que vencerão já agora no primeiro turno das eleições.

Ambas as campanhas vêm apontando, nos bastidores, que suas sondagens internas — os chamados trackings — apontam para vitória dos respectivos presidenciáveis em primeiro turno. Na prática, o cenário está acirrado e a disputa, em aberto.

As pesquisas dos principais institutos de pesquisa não preveem uma eleição decidida já neste domingo, mas reiteram o cenário em que Lula e Flávio concentram as intenções de voto e esvaziam os demais candidatos ao Planalto.

Em caminhada no sábado (3), na capital paulista, o petista disse que "amanhã vamos comemorar a vitória em primeiro turno". Flávio, por sua vez, disse no interior de São Paulo que pensa em "marcar para a semana que vem reuniões de governo".

O único presidenciável a vencer uma eleição em primeiro turno na história recente foi Fernando Henrique Cardoso (PSDB). O tucano foi eleito em 1994 com 54% dos votos.

De olho na possibilidade de um "segundo turno adiantado", Lula tenta evitar a abstenção, que costuma ser mais elevada entre brasileiros que o preferem. Enquanto isso, Flávio aposta no voto útil. Ou seja, no apelo para que eleitores que pensam em votar em seus adversários de direita adiantem a escolha pelo senador em primeiro turno.

Campanha de Lula

Presidente da República, Lula chegou à sua sétima disputa pelo Planalto como candidato natural de seu campo político. O mandatário teve como estratégia central a defesa de seu legado e a comparação dele com os de seus adversários.

O PT (Partido dos Trabalhadores) viu em Flávio Bolsonaro um adversário "ideal" para Lula — diante da avaliação de que nomes com menor rejeição entre o eleitorado, como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), seriam rivais mais desafiadores. Em um primeiro momento, a sigla moderou as críticas ao senador.

A partir de agosto, porém, o petista viu Flávio se aproximar nas principais pesquisas de intenções de voto. Diante do desafio, o mandatário acelerou suas viagens ao redor do país e passou a ser mais agudo em seus ataques ao senador.

A campanha de Lula se viu nas cordas quando vazamentos em investigações indicavam uma suposta ligação de Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente, e Marco Aurélio Santana Ribeiro, seu ex-chefe de gabinete, com casos de corrupção. A crise interna no STF (Supremo Tribunal Federal) também incomodou e levou o PT à defensiva.

Em resposta, Lula reforçou a associação entre Flávio e o ex-banqueiro do Master, Daniel Vorcaro, e lançou mão de uma série de medidas de governo. O presidente aumentou o valor do Bolsa Família e proibiu as casas de apostas esportivas, as chamadas bets, no país. Diante da situação, o PT viu espaço para voltar a "pautar" a disputa.

Nesta reta final, a principal preocupação do PT foi a abstenção. Historicamente, o número de pessoas que decidem não votar é maior entre públicos que votam maioritariamente em Lula. São exemplos o eleitor com mais de 70 anos, que não são obrigados a ir às urnas, e os mais pobres.

O petista tem pedido repetidamente em seus discursos que o eleitor "70+" vá às urnas neste domingo. E o PT busca mobilizar os idosos. A sigla passou a divulgar que o comparecimento às urnas nas eleições servirá como prova de vida para o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).

Campanha de Flávio Bolsonaro

Senador da República, Flávio Bolsonaro foi escolhido como o herdeiro político do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), para disputar a corrida ao Planalto em dezembro do ano passado.

Agora, Flávio chega ao primeiro turno da eleição bem posicionado. Mas, em maio, na pré-campanha, o candidato se viu em meio a uma crise pelo pedido de patrocínio a Daniel Vorcaro para o filme Dark Horse, inspirado livremente na trajetória de Jair Bolsonaro.

Ao longo do caminho, trocou o comando da equipe de comunicação, até chegar no marqueteiro Duda Lima, homem de confiança de caciques do PL. A meta da equipe de Flávio era que ele estivesse cinco pontos percentuais à frente de Lula nas pesquisas de intenção de voto ao final da Copa do Mundo de Futebol, o que não aconteceu na época.

No entanto, nas últimas semanas, o candidato do PL passou a concentrar uma parcela maior do eleitorado, inclusive pela estratégia de convencer eleitores de direita que adiantem a escolha pelo senador em primeiro turno, e se aproximou de Lula nas pesquisas. A estratégia parte da tentativa de transformar a polarização em argumento para que eleitores que ainda apoiam outros nomes migrem para Flávio antes do primeiro turno.

A expansão da base bolsonarista ainda passou por outras frentes. Flávio se apresentou como um candidato de perfil mais moderado do que o pai, mas com foco no endurecimento da segurança pública.

O candidato do PL também intensificou a presença no Sudeste, especialmente em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, estados com os maiores colégios eleitorais do país, ao mesmo tempo em que buscou reduzir a vantagem histórica de Lula no Nordeste.

A campanha reforçou ainda agendas ao lado de lideranças regionais, como Tarcísio de Freitas, e o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), e mobilizou aliados de diferentes estados para produzir conteúdos e pedir votos para o candidato, como o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG).

Ao mesmo tempo, o confronto com Lula se tornou mais direto nesta reta final. Flávio passou a explorar com maior frequência temas como a atuação dos ministros do STF Alexandre de Moraes e Flávio Dino, ações de última hora do governo petista e o próprio sentimento antipetista de parte da população.