Lula e Flávio trocam ataques em estreia de campanha no rádio e na TV

Ronaldo Caiado centralizou críticas ao PT e mirou gestão em segurança pública; Augusto Cury focou no combate à polarização e disse que "é necessário curar o país"; Renan Santos e Romeu Zema não possuem tempo para exibição

Manoela Carlucci e Gisele Farias, da CNN Brasil, Maria Paula Giacomelli, colaboração para a CNN Brasil, São Paulo
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As campanhas presidenciais estrearam, neste sábado (29), o horário eleitoral gratuito em rádio e televisão. Ao longo dos 12 minutos dedicados, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante), exibiram suas primeiras peças publicitárias.

Lula e Flávio - candidatos com maior tempo de programação - focaram ataques um ao outro; Caiado investiu na pauta de segurança pública, tecendo críticas ao atual governo petista; e Augusto Cury mirou no combate à polarização, falando da necessidade de "cura" para o país.

As propagandas de rádio foram ao ar a partir das 07h, enquanto as de televisão foram divulgadas a partir das 13h.

  • Lula (PT)

Com o maior tempo dedicado - 5 minutos e 32 segundos - o atual presidente, que concorre à reeleição optou por apresentar duas peças diferentes, uma no rádio e outra na televisão.

Na estreia matinal - no rádio -, enquanto dois mediadores exaltavam medidas desenvolvidas nos últimos quatro anos, como o Pé-de-Meia, a saída do Brasil do Mapa da Fome, a queda de alguns índices, como o da taxa de desemprego, Lula disse ter "muita coisa em jogo" para a eleição deste ano.

Dentre as principais pautas destacadas, o programa focou no fim da escala 6x1 - proposta que aguarda análise na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado.

No rádio, a campanha dedicou cerca de um minuto para mirar críticas a Flávio Bolsonaro - principal adversário de Lula na disputa.

Em uma menção inicial, os apresentadores do programa encenado dizem que "além de não gostar de trabalhar", o candidato do PL "pediu R$61 milhões a Daniel Vorcaro". Na sequência, exibiram o áudio que o parlamentar teria encaminhado ao dono do Banco Master.

"Então se você puder me dar um toque, uma posição aí Daniel, porque a gente precisa saber o que faz, cara, da vida, porque já tem muita conta para pagar esse mês e mês seguinte também", diz Flávio na gravação divulgada pelo Intercept Brasil.

"Você acha mesmo que dá para confiar nesse cara que não admite nada?", questionou uma das mediadoras da programação.

Já na televisão, a gravação começou com a exibição de críticas a Flávio, apresentando uma série de notícias de cunho negativo envolvendo o parlamentar. Nesta peça, a campanha de Lula optou por focar na divulgação na biografia do presidente.

Escrevendo em um papel, o petista lê uma carta direcionada a ele mesmo no passado: "Se o Lula de hoje pudesse mandar um recado para o Lula de 79 seria esse: companheiro sei que se coração está apertado".

"Lembro como se fosse ontem: vai dar tudo certo. Não vai ser fácil, vai ter perseguição, vão atentar contra nossa soberania, vai ter gente rica torcendo para você não aguentar, mas você nunca vai abrir mão da sua dignidade, aguenta companheiro, que o povo vai vencer!", acrescentou.

O vídeo apresenta uma série de imagens da trajetória do presidente, desde sua época de sindicato até as medidas desenvolvidas ao longo dos últimos quatro anos. A primeira-dama, Rosângela da Silva, aparece em um trecho para falar sobre medidas voltadas ao eleitorado feminino: "toda mulher e toda menina brasileira tem o direito de sonhar".

Ao final, Lula diz que ainda há "muita coisa para ser feita" pelo Brasil e ressalta: "Chego a essa eleição mais forte e mais preparado do que nunca".

  • Flávio Bolsonaro (PL)

O senador Flávio Bolsonaro (PL), usou a estreia na propaganda eleitoral de rádio para acenar ao eleitorado feminino, criticar o governo de Lula e focar no combate ao crime e à inflação.

O candidato possuía 4 minutos e 20 segundos de espaço no rádio. A programação também simulou uma conversa entre mediadores e o candidato, em um canal que nomearam de "Rádio 22".

O parlamentar opôs o que chamou de "Brasil do Lula" ao "Brasil real" e direcionou seu discurso ao custo de vida da população e à segurança pública, um dos temas centrais da campanha dele.

"Vou falar do Brasil, que vive dominado pelas facções criminosas. As pessoas nunca tiveram tanto medo, as empresas estão quebrando e as famílias, devendo. A caixa de chocolate, que vinha 20, agora vem 16. Até a pizza está tendo que parcelar", afirmou.

Durante a programação, o candidato citou o pai apenas uma vez para dizer que "todo mundo conhece o ex-presidente", mas que sua mãe, esposa e filhas também o moldaram e que são elas "que mandam na casa".

"Ainda bem que é assim, porque o Brasil só vai vencer se mulheres forem mais fortes e vencerem cada vez mais", completou.

Já na televisão, o senador repetiu o ataque inicial a Lula com a representação do que chamou de "dois Brasis". Em seguida, ele dedicou mais espaço para falar da mãe, Rogéria Bolsonaro, e da esposa, a dentista Fernanda.

No trecho, Flávio disse que herdou da mãe a sensibilidade para governar, já que passava mais tempo com ela na infância por Jair se dedicar ao trabalho. Em seguida, a propaganda exibe um momento entre Flávio e Fernanda, em que a dentista diz que reeducou o marido. "Não é à toa que você é o Bolsonaro moderado", disse ela.

Depois, o candidato fez um aceno mais forte ao eleitorado feminino ao dizer que as mulheres lideram diferente dos homens, e, muitas vezes, melhores do que eles. "Com as mulheres, eu aprendo o quanto elas são fortes, mais cuidadosas. São firmes, mas não querem ser donas da verdade."

A propaganda encerra com o narrador afirmando que Flávio sabe "a importância de defender as mulheres."

  • Ronaldo Caiado (PSD)

Candidato à Presidência da República pelo PSD, Ronaldo Caiado utilizou seus 2 minutos e 2 segundos de propaganda - tanto no rádio, quando na televisão - para falar sobre uma de suas principais pautas, que é a segurança pública, além de focar críticas ao PT.

"Quando o PT começou a invadir a terra de quem plantava, Caiado fez o que ninguém teve coragem de fazer. Foi o primeiro a enfrentar a esquerda", diz um dos trechos do programa.

O candidato do PSD ainda afirmou que nunca "comungou com bandido, criminoso e traficante". Segundo Caiado, o “crime domina”, por conta da “omissão, conivência e incompetência dos que governam o país há 20 anos”.

  • Augusto Cury (Avante)

Com menor tempo de programação, Augusto Cury utilizou sua estreia para falar sobre o combate à polarização. Com 35 segundos de duração, o programa do candidato pelo Avante destacou a necessidade de uma "cura" para o país.

A propaganda começou com áudios de notícias sobre presidentes anteriores que - de acordo com a campanha - refletem a polarização no país.

Cury se colou como opção aos eleitores: “É isso que vocês querem? Mais 4 anos disso? Ou a gente para de gritar, senta, se escuta e cura esse país”, afirmou o candidato do Avante.

Horário eleitoral

O horário eleitoral gratuito de presidenciáveis e candidatos à Câmara dos Deputados começou a ser veiculado neste sábado (29), na cadeia nacional de rádio e televisão. Os anúncios dos candidatos aos cargos do Executivo e Legislativo acontecerão às terças, quintas e sábado.

A propagação obrigatória é garantida pela Lei n° 9.505/1997 e pela resoluções do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) n° 23.610/2019 e n° 23.776/2026. A medida garante que partidos, federações e coligações apresentem suas candidaturas e propostas ao eleitorado.

Confira o calendário de exibições e tempos por blocos

Terças, quintas e sábados:

  • Presidente da República (12 min 30 s por bloco)

- Rádio: 07h00 – 07h12m30s | 12h00 – 12h12m30s;
- TV: 13h00 – 13h12m30s | 20h30 – 20h42m30s.

  • Deputado Federal (12min 30s por bloco)

- Rádio: 07h12m30s – 07h25 | 12h12m30s – 12h25;
- TV: 13h12m30s – 13h25 | 20h42m30s – 20h55.

Segundas, quartas e sextas-feiras:

  • Senador (7min por bloco — 28% do tempo)

- Rádio: 07h00 – 07h07 | 12h00 – 12h07;
- TV: 13h00 – 13h07 | 20h30 – 20h37.

  • Deputado Estadual/Distrital (9 min por bloco — 36% do tempo)

- Rádio: 07h07 – 07h16 | 12h07 – 12h16;
- TV: 13h07 – 13h16 | 20h37 – 20h46.

  • Governador (9 min por bloco — 36% do tempo)

- Rádio: 07h16 – 07h25 | 12h16 – 12h25;
- TV: 13h16 – 13h25 | 20h46 – 20h55.