Marinho chama decisão de Zanin de "vergonha e intempestiva"

Decisão estendeu o horário até as 19h após denúncias de redução na frota de ônibus em cidades como Salvador e São Paulo

Pedro Penteado, colaboração para a CNN Brasil, São Paulo

O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), escreveu neste domingo (25) que a decisão do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Cristiano Zanin em prorrogar o prazo de encerramento das urnas até as 19h é uma "vergonha e intempestiva".

Ele classificou a ação como "inexequível" para tumultuar o processo de uma eleição que, em sua visão, "eles [PT] já perderam no voto".

"Eleição para o PT É aquela que eles ganham, quando eles perdem é ditadura. Lamentável", escreveu em sua rede social.

A decisão de Zanin atendeu a um pedido da Coligação Brasil Pronto Pra Mais, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na ação, o grupo argumenta que prefeituras da Bahia e de São Paulo reduziram significativamente a frota de ônibus em circulação durante o domingo do segundo turno das eleições, prejudicando os eleitores.

"Sem prejuízo das apurações necessárias oportunamente e suas consequências jurídicas, determino que a decisão seja cumprida nos locais onde as urnas não foram fechadas, com a posterior totalização dos votos nas condições enunciadas, sendo que, nas urnas que já foram fechadas os votos serão computados e totalizados, nos termos anteriores mencionados", escreveu o magistrado em decisão.

Ainda de acordo com a coligação, em Salvador, por exemplo, uma fiscalização judicial registrou que mais da metade da frota habitual de dias úteis permaneceu retida nas garagens por orientação do próprio órgão de mobilidade do município. O secretário de mobilidade da capital baiana chegou a ser preso por ordem da Justiça Eleitoral. 

O pedido também havia sido direcionado ao presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, que não respondeu de imediato. Por volta das 16h20, Kassio determinou que as prefeituras prestassem esclarecimentos em até meia hora.

Foi depois disso que a coligação decidiu acionar o STF.

"Considerando a gravidade dos fatos narrados, que chegaram ao conhecimento do Supremo Tribunal Federal em 16:32:49, da data de hoje, e diante da urgência evidente na medida, determino prorrogação por duas horas, até as 19h, horário de Brasília, do encerramento do recebimento dos votos em todas as seções de todo o Brasil, cabendo ao TSE dar cumprimento", diz o Zanin na decisão.

Pouco antes, o senador e candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL) também havia acionado o TSE para prorrogar a votação em São Paulo, Paraná e Santa Catarina em razão das condições climáticas.