Meu futuro no PSOL é incerto e depende de conversas, diz Erika Hilton
Deputada defendeu federação com o PT e criticou a divisão do fundo partidário promovida pela legenda nas últimas eleições

Em entevista à CNN Brasil, a deputada federal Erika Hilton (PSOL) admitiu que seu futuro no PSOL (Partido Socialismo e Liberdade) é "incerto" e que dependerá de conversas futuras.
"Meu futuro na legenda é bastante incerto. Vocês acompanharam meu empenho para fazer federação com o PT para ampliação da nossa presença em estados que são dominados pela direita e extrema direita, e a federação nos daria oportunidade de aumentar nossa bancada", afirmou ao CNN 360º.
"Depois, no processo eleitoral, falei sobre a divisão do fundo partidário e precisei colocar a público, quando houve descumprimento de acordos. Mas tenho respeito pelo partido em que construí minha militância, pelo partido de que sou candidata desde a minha primeira eleição. Precisamos sentar e conversar para definir os próximos rumos", complementou.
Com 1,6 milhão de votos, Hilton se tornou a mulher mais votada na história da Câmara dos Deputados após apresentar a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) inicial sobre o fim da escala 6x1. Apesar da expressão de votos, o partido não atingiu a cláusula de barreira, o que coloca uma situação delicada em jogo.
"O partido, quando não atinge a cláusula de barreira, passa a viver uma situação complexa e delicada. Acho que o PSOL errou na distribuição de recursos para candidaturas que não tinham tanto potencial de ser eleitas, em vez de outros estados em que poderia ser eleito. Não conseguimos fazer os nove que precisa, então precisamos pensar e sentar para corrigir os erros", disse.
Em junho deste ano, conforme noticiou a CNN Brasil, a deputada criticou o próprio partido por estar "rasgando" os acordos internos sobre distribuição de recursos financeiros e "inviabilizando" sua candidatura e a também a de outros nomes da legenda para as eleições de 2026.
"Tenho um orgulho imenso de ter ajudado a levar a luta pelo fim da escala 6x1 para o Brasil inteiro. As ruas estão do nosso lado. Mas fazer campanha no nosso país não é igual para todos. Sou uma deputada negra e travesti", escreveu Erika nas redes sociais, acrescentando que permaneceu no partido como outras lideranças para superar a cláusula de barreira, trabalhar pela reeleição do presidente Lula (PT) e fortalecer a bancada de esquerda no legislativo.


