Nexus/BTG: 45% se identificam como "antilulista"; 40% "antibolsonarista"

Levantamento aponta para uma parcela de 20% de eleitores "não polarizados", que não se engajam com nenhum dos grupos

Rafael Sotero, colaboração para a CNN Brasil, Gabriela Piva, da CNN Brasil, São Paulo
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A pesquisa Nexus/BTG, divulgada nesta segunda-feira (3), aponta que 45% do eleitorado se considera antilulista. A parcela enquadrada como antibolsonarista soma 40% dos entrevistados, enquanto 20% são classificados como "não polarizados", que não se engajam com nenhum dos grupos.

Do total de entrevistados, 29% são classificados como bolsonaristas convictos, que se identificam como antilulistas e rejeitam o antibolsonarismo. Já o grupo denominado "Bolsonaro como alternativa" representa 6%, que se identificam com o antilulismo e são indiferentes ao antibolsonarismo.

No levantamento, foram 25% os colocados como Lulistas convictos, que se identificam com o antibolsonarismo e rejeitam o antilulismo, enquanto 5% formam o grupo "Lula como alternativa", que se identificam com o antibolsonarismo e são indiferentes ao antilulismo.

A pesquisa ainda aponta para um grupo de 10% do eleitorado que se identifica ao mesmo tempo com o antilulismo e com o antibolsonarismo — o que explica a soma dos percentuais acima ultrapassar os 100%.

Houve ainda um grupo de 5% que disse não saber ou não respondeu.

Em comparação com o levantamento anterior, a parcela dos bolsonaristas convictos oscilou positivamente de 25% para 29%, enquanto os lulistas convictos passaram de 23% para 25%. Os eleitores polarizados variaram numericamente para baixo, de 22% para 20%, enquanto os que se consideram anti-Lula e anti-Bolsonaro variaram de 9% para 10%.

A parcela chamada de "Bolsonaro como alternativa" oscilou negativamente de 9% para 6%, enquanto a representação do grupo "lula como alternativa" manteve os mesmos 5%.

Lula x Flávio

Marcelo Tokarski, CEO da Nexus/BTG, ressaltou o crescimento do senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no primeiro turno das eleições como o principal ponto da pesquisa divulgada nesta segunda-feira. Para ele, os resultados mais recentes são similares aos de abril, antes do vazamento dos áudios entre o parlamentar e Daniel Vorcaro, ex-banqueiro do Banco Master, sobre o filme "Dark Horse".

"A gente voltou a ter um padrão de votação lá do final de abril, portanto, anterior ao caso 'Dark Horse' — o famoso áudio que o senador Flávio Bolsonaro encaminhou para Daniel Vorcaro pedindo dinheiro para finalizar o filme sobre Jair Bolsonaro, seu pai. O Flávio teve um desgaste — sempre coloquei muito isso — na franja, um desgaste pequeno, mas ele tinha 37% dos votos, abaixou para 33%, oscilou para 34% e agora, aparentemente, ele recupera para esses 37% no primeiro turno", pontuou em entrevista ao Bastidores CNN.

Segundo Tokarski, a hipótese para essa recuperação é uma "reaglutinação de parcela do eleitorado", que tende mais a votar em um candidato bolsonarista e que rejeita o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Para ele, os vídeos do presidente argentino Javier Milei apoiando Flávio e a gravação feita com inteligência artificial de Jair Bolsonaro ajudaram nesse cenário, fazendo o senador subir quatro pontos percentuais na pesquisa.

Entretanto, o cenário de crescimento não é o mesmo para os candidatos considerados da terceira via, como os ex-governadores Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo). Todos os nomes, juntos, tinham crescido discretamente e somado 18% nas pesquisas das últimas semanas, mas caiu agora para 15% das intenções de voto.

"Caiado e Renan Santos recuaram um ponto; Zema ficou igual, mas a verdade é que ninguém consegue crescer. Hoje, praticamente a dois meses do primeiro turno, a eleição está muito polarizada entre Lula e Flávio, como disparado aí o candidato mais forte do campo da direita", concluiu.

Metodologia

Nexus/BTG entrevistou 2.002 eleitores, entre os dias 31 de julho e 02 de agosto, por meio de entrevista por telefone. A margem de erro do levantamento é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95%.

O levantamento foi contratado pelo BTG Pactual e está registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o protocolo BR-02874/2026.

Confira a íntegra do levantamento abaixo