PSD busca apoio do centrão, mas partidos indicam tendência à neutralidade

Sigla de Gilberto Kassab quer ampliar arco de alianças com legendas de centro e centro-direita

Vinícius Murad e Pedro Venceslau, da CNN Brasil, São Paulo
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A filiação do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, ao PSD deu novo impulso ao projeto presidencial da sigla, que agora reúne três governadores pré-candidatos ao Palácio do Planalto. A estratégia do partido passa não apenas pela definição consensual de um nome até abril, mas também por uma tentativa de ampliar o arco de alianças com legendas de centro e centro-direita.

Os próprios governadores pré-candidatos já declararam publicamente que a ideia é construir uma candidatura capaz de dialogar com outros partidos fora do PSD. Nos bastidores, no entanto, dirigentes dessas siglas avaliam que o cenário atual favorece uma postura de neutralidade na disputa nacional.

Na federação União Progressista, por exemplo, a tendência, segundo interlocutores, é adiar qualquer definição presidencial.

A avaliação interna é que a neutralidade ajuda a preservar alianças regionais e a sustentar chapas estaduais competitivas, dentro de um projeto de ampliação das bancadas no Congresso Nacional. O apoio formal a uma candidatura presidencial só seria discutido mais adiante.

A CNN revelou que no PP há possibilidade de neutralidade. No Republicanos, a leitura é semelhante. Dirigentes reconhecem o apoio que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, deve dar a Flávio Bolsonaro (PL-RJ), mas indicam que, nacionalmente, o partido tende a manter posição neutra. A legenda, inclusive, mantém pontes ativas com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em alguns estados.

Em Pernambuco, o Republicanos abriga o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, que deve disputar o Senado em uma chapa alinhada ao presidente Lula. Na Paraíba, a expectativa é que Nabor Wanderley, pai do presidente da Câmara, Hugo Motta, concorra ao Senado pelo partido em uma construção também associada ao Planalto.

O MDB, por sua vez, enfrenta divisões internas. Uma ala chegou a defender, de forma pontual, a tese de lançar Michel Temer como candidato à Presidência, mas a ideia não prosperou. Segundo dirigentes ouvidos pela CNN, o partido caminha para manter a independência nacional. A ala governista do MDB teria força suficiente para barrar um apoio formal a uma candidatura presidencial de centro-direita.

Nos bastidores, emedebistas avaliam que o cenário seria diferente se o candidato fosse Tarcísio de Freitas. No desenho atual, a tendência é liberar caciques e diretórios estaduais para decisões locais. Em São Paulo, o MDB está fechado com Tarcísio. Já no Pará, em Alagoas — com o grupo do senador Renan Calheiros —, além de estados como Bahia e Pernambuco, há alinhamento consolidado com Lula.

No Rio de Janeiro, o principal nome do PP no estado, Dr. Luizinho, está alinhado ao prefeito Eduardo Paes, que também deve apoiar a reeleição do presidente.

Enquanto isso, o PL tenta se reposicionar. Como a CNN mostrou, o senador Flávio Bolsonaro sinalizou que a chapa presidencial do partido deve buscar um vice da federação União Progressista. A avaliação ocorre após a saída de Caiado do União Brasil e leva em conta a capilaridade regional da federação, especialmente no Nordeste.

Ainda segundo Flávio Bolsonaro, a entrada de Caiado no PSD não representaria isolamento da oposição, mas uma reorganização do campo anti-PT.

Em entrevista à CNN, Caiado afirmou que deixou o União Brasil para viabilizar um projeto nacional que encontrava resistência interna e defendeu que o PSD oferece estrutura e presença nacional para sustentar uma candidatura competitiva. A definição do nome, segundo ele, ficará para abril.

O governador do Paraná, Ratinho Jr., também pré-candidato, afirmou à CNN que o partido abriga mais de um nome competitivo e que a escolha será fruto de diálogo interno, dentro de um projeto nacional que consiga conversar com diferentes regiões do país.