Soraya Thronicke não é reeleita ao Senado por Mato Grosso do Sul

Vencedora no pleito de 2018 como “a senadora do Bolsonaro”, parlamentar rompeu com o ex-presidente e disputou novo mandato como aliada de Lula

Renan Soares, colaboração para a CNN Brasil, São Paulo
Compartilhar matéria

A senadora Soraya Thronicke (PSB) não conseguiu se reeleger neste domingo (4) e deixará o Congresso ao término do mandato, em janeiro de 2027. A parlamentar terminou a disputa em quarto lugar, com cerca de 13,07% dos votos válidos.

As duas vagas de Mato Grosso do Sul foram conquistadas por candidatos do PL (Partido Liberal). O ex-governador Reinaldo Azambuja recebeu 34,64% dos votos, enquanto Capitão Contar ficou com 32,82%. O deputado federal Vander Loubet (PT) terminou em terceiro, à frente de Soraya, com 13,88%.

Com o resultado, a senadora encerra um mandato marcado por mudanças no relacionamento político. Eleita em 2018 na esteira do bolsonarismo, Soraya rompeu com Jair Bolsonaro (PL), enfrentou publicamente integrantes da família do ex-presidente e, em 2026, concorreu em uma aliança apoiada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

De "senadora do Bolsonaro" à ruptura

Soraya chegou ao Senado em sua primeira eleição para um cargo público. Filiada ao PSL (Partido Social Liberal), mesma legenda de Bolsonaro naquele momento, apresentou-se durante a campanha como "a senadora do Bolsonaro" e recebeu 373.712 votos, equivalentes a 16,19% dos votos válidos.

No início do mandato, a parlamentar apoiou o governo Bolsonaro e defendeu publicamente bandeiras do então presidente. A relação, porém, perdeu força entre 2019 e 2020, período em que Bolsonaro entrou em conflito com dirigentes do PSL e deixou o partido.

O rompimento ganhou maior visibilidade durante a eleição de 2022. Já filiada ao União Brasil, Soraya concorreu ao Palácio do Planalto e fez críticas diretas a Bolsonaro nos debates. Em um dos encontros, o então presidente a chamou de "estelionatária" por utilizar a associação com ele na campanha de 2018. A senadora, por sua vez, afirmou que havia se decepcionado com o governo e intensificou as críticas ao antigo aliado.

Aliança com Lula

Após passar pelo União Brasil e pelo Podemos, Soraya filiou-se ao PSB em abril deste ano para tentar renovar o mandato. A legenda integra a base do governo Lula e tem o vice-presidente Geraldo Alckmin entre seus principais nomes.

Durante a campanha, a senadora confirmou a aliança com Lula e passou a dividir o campo político com Vander Loubet, candidato do PT à outra vaga.