TSE amplia parceria com plataformas e empresas de IA para eleições

Parcerias preveem medidas contra robôs, perfis falsos e conteúdos manipulados por inteligência artificial no processo eleitoral

Fernanda Fonseca e Matheus Teixeira, da CNN Brasil, Brasília
Compartilhar matéria

O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) ampliou nesta quinta-feira (16) a parceria com plataformas digitais e empresas de inteligência artificial para o combate à desinformação nas eleições de 2026.

Sete plataformas, Kwai, Telegram, Meta, TikTok, Google, X e LinkedIn, assinaram memorandos de entendimento com a Corte. Já as empresas de inteligência artificial ElevenLabs, OpenAI e Anthropic aderiram ao Programa Permanente de Enfrentamento à Desinformação da Justiça Eleitoral.

Os acordos preveem a criação de canais de comunicação e ações conjuntas para identificar e combater "redes de comportamento inautêntico", robôs, perfis falsos, ataques cibernéticos e conteúdos produzidos ou manipulados por inteligência artificial.

Durante a cerimônia, o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, defendeu que as empresas adotem medidas preventivas para reduzir a circulação de conteúdos falsos e fraudulentos durante o processo eleitoral.

O ministro afirmou, no entanto, que a iniciativa não tem como objetivo restringir a liberdade de expressão, impedir críticas ou "uniformizar o debate político".

"O que se busca é assegurar acesso a informações eleitorais confiáveis e reduzir a incidência de fraudes, falsificações, comportamentos inautênticos e outras práticas capazes de comprometer a liberdade de escolha", disse.

Segundo Nunes Marques, a Justiça Eleitoral e as empresas terão responsabilidades diferentes. Caberá ao TSE estabelecer os parâmetros jurídicos e decidir as controvérsias levadas à Corte. As plataformas deverão aplicar suas políticas internas, prevenir abusos e aperfeiçoar os mecanismos de identificação e resposta.

"Cooperar não significa confundir papéis, afastar a fiscalização ou eliminar todas as eventuais divergências", afirmou.

Nunes Marques também destacou os riscos relacionados à popularização da inteligência artificial generativa. Segundo ele, textos, imagens, áudios e vídeos falsos podem ser produzidos com um grau de realismo que dificulta a identificação pelos eleitores.

Os memorandos não autorizam a remoção automática de conteúdos. Eventuais medidas continuarão submetidas à legislação eleitoral, às regras das plataformas e, quando necessário, a decisões judiciais.

Representantes das empresas participaram da cerimônia nesta quinta, mas não discursaram. Nunes Marques chegou a perguntar se algum deles gostaria de se manifestar, mas ninguém pediu a palavra.

A cooperação entre o TSE e as plataformas começou a ser estruturada em 2018 e foi ampliada nos ciclos eleitorais seguintes. Para 2026, a principal novidade é a entrada formal de empresas especializadas em inteligência artificial.