TSE cobra dados da Microsoft para identificar autor de deepfake contra Lula

Liminar de André Mendonça que mandou tirar vídeos do ar foi ao Plenário do TSE, mas julgamento foi suspenso por pedido de vista de Nunes Marques

Fernanda Fonseca, da CNN Brasil, Brasília
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O ministro André Mendonça, do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), mandou a Microsoft entregar dados que ajudem a identificar um usuário investigado em ação sobre um deepfake contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A empresa deve informar nome, telefone e endereço, se tiver essas informações.

É a segunda vez que o TSE cobra a Microsoft. A empresa não respondeu formalmente a uma intimação anterior. Só mandou um e-mail explicando que usa um portal próprio para tratar pedidos de dados. Mendonça disse que não cabe ao tribunal se adaptar aos sistemas de cada empresa.

O caso começou com um vídeo feito com inteligência artificial que simulava uma conversa entre Lula e o senador Jaques Wagner (PT-BA). Na gravação, uma voz sintética atribuída a Wagner diz que Lula é seu "professor bandido" e o "ensinou a roubar".

A Federação Brasil da Esperança (PT, PV e PCdoB) processou responsáveis por oito perfis no Instagram que divulgaram o vídeo. Mendonça mandou tirar as publicações do ar e determinou que a Meta, dona do Instagram, informasse dados dos perfis investigados.

A decisão foi ao Plenário Virtual do TSE entre 12 e 14 de agosto. Mendonça votou para manter a própria liminar e teve o apoio do ministro Dias Toffoli. Outros quatro ministros também acompanharam o relator, mas por um fundamento diferente: para eles, não é preciso provar que o vídeo enganou eleitores para configurar deepfake, nem o aviso de que o conteúdo foi feito por IA livra o autor da irregularidade.

O presidente do TSE, ministro Nunes Marques, pediu vista e interrompeu o julgamento. Não há data para a retomada.

A CNN Brasil procurou a Microsoft, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem. O espaço está aberto para manifestação.