TSE deve definir limites para uso de IA em campanhas nesta terça-feira (1º)

Julgamento pode estabelecer tese sobre uso da tecnologia na propaganda eleitoral, com potencial para orientar outros casos envolvendo IA que forem analisados pela Justiça Eleitoral

Gabriela Boechat, da CNN Brasil, Brasília
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O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) deve analisar na próxima terça-feira (1º) a ação movida pelo PT contra um vídeo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) produzido por IA (inteligência artificial) e exibido durante a convenção do PL que oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência.

O julgamento deve estabelecer uma tese sobre os limites para o uso de inteligência artificial na propaganda eleitoral, com potencial para orientar outros casos analisados pela Justiça Eleitoral. A Corte também deverá decidir se houve irregularidade e se o PL e Flávio Bolsonaro devem ser punidos pela divulgação do material.

Na gravação, uma reprodução digital de Jair Bolsonaro aparece manifestando apoio à candidatura do filho. Bolsonaro cumpre pena em prisão domiciliar após ser condenado a 27 anos e três meses de reclusão por tentativa de golpe de Estado e, por isso, teve seus direitos políticos suspensos e está proibido de se comunicar com o meio externo por meio da internet.

Após a exibição do vídeo, a Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, acionou o TSE afirmando que o conteúdo configura propaganda eleitoral antecipada e viola as regras da Justiça Eleitoral que proíbem o uso de deepfakes para favorecer ou prejudicar candidaturas.

O caso será analisado no tribunal eleitoral em meio a um debate ainda sem consenso entre os ministros sobre os limites para o uso de inteligência artificial nas campanhas e, principalmente, sobre quais conteúdos devem ser classificados como deepfakes.

A resolução que regulamenta a propaganda eleitoral nas eleições de 2026 determina que conteúdos sintéticos produzidos ou alterados por inteligência artificial sejam identificados de forma explícita. A norma, no entanto, proíbe o uso de deepfakes desde 2024.

Na semana passada, os ministros se reuniram a portas fechadas para discutir o tema. No encontro, o ministro Kassio Nunes Marques, presidente da Corte, apresentou aos colegas as possíveis consequências das regras atuais e propôs uma discussão sobre os prós e contras do uso de inteligência artificial nas campanhas. Nem todos os ministros, porém, manifestaram suas opiniões ou formalizaram seus posicionamentos.

A CNN apurou que parte dos ministros defende manter a proibição geral do uso de deepfakes no processo eleitoral. Nunes Marques, por outro lado, tenta convencê-los da possibilidade de a Corte admitir a chamada "IA do bem": conteúdos produzidos artificialmente que não sejam ofensivos nem utilizados para promover campanhas negativas poderiam ser permitidos.

Nesta semana, motivando uma rediscussão das regras, o ministro André Mendonça apresentou um critério diferente para definir o que deve ou não ser considerado deepfake. Pela proposta, o principal critério seria o grau de realismo da produção e a possibilidade de o conteúdo levar o eleitor a acreditar que se trata de um registro verdadeiro. Memes, caricaturas, animações e outras representações evidentemente fantasiosas, por exemplo, poderiam ficar fora da definição de deepfake.