TSE publica plano de mídia e não inclui fiscalização sugerida pelo PL

Após alegar fraude em 2022, partido pediu inclusão de regras de monitoramento da inserção da propaganda eleitoral gratuita nas emissoras

Gabriela Boechat, da CNN Brasil
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O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) publicou nesta quinta-feira (27) a resolução que estabelece o plano de mídia do horário eleitoral gratuito para o cargo de presidente da República nas eleições gerais de 2026. A propaganda no rádio e na televisão começa na sexta-feira (28).

O plano, aprovado por unanimidade pelo Plenário da Corte, define a divisão do tempo de rádio e televisão entre partidos, federações e coligações, além da ordem de exibição dos programas e das regras para o envio dos materiais às emissoras.

Antes de consolidar o plano, o TSE realizou uma audiência pública com partidos e coligações para receber sugestões para a regulamentação.

Uma das principais controvérsias envolveu um pedido do PL. Após a campanha de Jair Bolsonaro (PL) reclamar de ter sido preterida nas inserções de rádio durante a corrida presidencial de 2022, o partido propôs a adoção de mecanismos para fiscalizar se as propagandas eleitorais foram efetivamente veiculadas pelas emissoras.

Entre as sugestões estava a determinação de que o grupo de emissoras responsável pela geração do material mantivesse registros eletrônicos dos downloads dos arquivos das propagandas. A medida permitiria identificar quais emissoras deixaram de baixar os conteúdos que deveriam ser veiculados.

O PL também propôs que as emissoras responsáveis pela geração das propagandas e as retransmissoras mantivessem comprovantes de exibição dos conteúdos.

As propostas foram apresentadas após o partido do ex-presidente afirmar, em 2022, ter sido alvo de uma suposta “fraude” e acusar emissoras de deixar de veicular parte da propaganda de Bolsonaro.

Segundo o PL, uma empresa de auditoria contratada pela campanha constatou que o ex-presidente teria tido cerca de 154 mil inserções a menos do que o então candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O TSE, no entanto, não acolheu as sugestões e os mecanismos de fiscalização propostos pelo PL não foram incluídos no plano de mídia de 2026.

Entre as medidas de segurança previstas na resolução, porém, está a obrigação de que o grupo único de emissoras, chamado de pool, mantenha sob sua guarda os arquivos das mídias e os deixe à disposição da Justiça Eleitoral por 30 dias após a veiculação.

A medida funciona como uma salvaguarda para eventuais investigações. Em caso de denúncia, o TSE poderá acessar os arquivos originais para verificar o material entregue pelas campanhas e confrontá-lo com o conteúdo que deveria ter sido veiculado.

Divisão do tempo e ordem de exibição

A propaganda eleitoral gratuita em bloco terá duração total de 12 minutos e 30 segundos, distribuídos da seguinte forma:

  • Coligação Brasil Pronto pra Mais (PDT, PSB, FE Brasil [PT, PCdoB e PV], PSOL e Rede): 5 minutos e 31 segundos;
  • Partido Liberal (PL): 4 minutos e 20 segundos;
  • Partido Social Democrático (PSD): 2 minutos e 2 segundos;
  • Avante: 35 segundos.

No primeiro dia de transmissão, os programas serão veiculados na ordem definida por sorteio: Avante, PSD, PL e Coligação Brasil Pronto pra Mais. A partir do segundo dia, será adotado o sistema de rodízio. A agremiação que veicular seu programa por último em um dia será a primeira a exibi-lo no dia seguinte.

Além dos programas em bloco, serão veiculadas 980 inserções de 30 segundos ao longo da programação diária das emissoras. A maior parcela caberá à Coligação Brasil Pronto pra Mais, com 434 inserções, e ao PL, com 339. O PSD terá 160 e o Avante, 47.