Waack: Falhas da Meta reacendem a disputa sobre as redes

A Meta de fato alterou mecanismos da tal moderação automática, que teria sido a responsável pela seleção do que pode ou não pode ser distribuído; não intencional, garante

William Waack

O Conselho de Supervisão da Meta, a empresa matriz do Facebook, Instagram e WhatsApp, apontou "falhas recorrentes" na moderação do grupo em conteúdos relacionados a eleições no Brasil e Estados Unidos.

Para que ninguém se confunda, a palavra moderação aqui significa como a Meta controla o que pode ou o que não pode ser distribuído. A questão é central, pois envolve tanto liberar demais como coibir demais.

Na visão do Conselho – e também do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) – houve "falhas recorrentes nos esforços da Meta para garantir a integridade eleitoral".

A Meta diz que trata todos de maneira igualitária, mas a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) insiste que isso não é assim; que a Meta restringiu seus conteúdos em palataformas como Instagram e WhatsApp, no que seria uma 'seletividade algorítmica" na ferramenta de inteligência artificial do aplicativo de mensagens.

A Meta de fato alterou mecanismos da tal moderação automática, que teria sido a responsável pela seleção do que pode ou não pode ser distribuído. Não intencional, garante.

Na verdade, estamos no império do algoritmo; que aparentemente regulação alguma em lugar algum consegue ordenar.

A Justiça Eleitoral brasileira adaptou as regras da campanha ao funcionamento das redes, exigiu planos de conformidade por parte das plataformas. Ocorre que algoritmo não é apenas o espelho de comportamento – mostrando o que as pessoas querem ver.

Ele participa da produção dos dados que depois servirão para decidir o que mostrar. Também no Brasil, a Justiça está sempre correndo atrás.