Waack: Investigações da PF contaminam as eleições

Cada lado comemora um gol contra o outro, mas não é um jogo de soma zero – no qual tudo se equivale – pois pelo menos dois efeitos abrangem a totalidade do processo político no Brasil

William Waack
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O ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), autorizou a Polícia Federal a investigar Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Lulinha é suspeita de tráfico de influência e corrupção em conjunto com o lobista conhecido como careca do INSS – mas esse é outro escândalo. O mesmo ministro André Mendonça já havia autorizado na semana passada pedido de investigação da Polícia Federal contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

O objetivo desse inquérito é apurar para onde foram os valores doados pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro ao senador, em princípio para bancar um filme sobre o pai dele. O primeiro efeito político eleitoral dessas investigações é evidente.

Cada lado comemora um gol contra o outro, mas não é um jogo de soma zero – no qual tudo se equivale – pois pelo menos dois efeitos abrangem a totalidade do processo político no Brasil.

O primeiro é marcar ainda mais no público a impressão de que tudo é só sujeira – e que todos são, no fundo, farinha do mesmo saco, que reforça o segundo efeito. Uma profunda aversão ao sistema, entendido como o conjunto de instituições – inclusive eleições – e o consequente descrédito sobre todas elas.

O que não se pode negar é o fato de que a política brasileira nesta fase está presa em grande medida ao que faz ou não faz a polícia e o Judiciário, incluindo aí o STF e outros Tribunais Superiores.

É uma retroalimentação perpétua das bolhas e da polarização, e o reforço da noção de que se trata de uma eleição em torno de taxas de rejeição.

O que é, no fundo, uma falta de escolhas.