Waack: Pacote eleitoral enfrenta alta rejeição do governo
O problema é o contraste entre medidas pontuais, de última hora, e os fatores mais abrangentes que explicam o primeiro turno para as eleições presidenciais, estaduais e especialmente o Legislativo
A Câmara e o Senado correram nesta quarta-feira (14) para aprovar matérias que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) considera importantes para a reeleição.
O Senado dedicou-se à tramitação do fim da escala 6x1, com o apoio também do candidato da oposição, Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Pois o Brasil é prisioneiro da ideia de que um populismo – o de Lula – só se consegue combater com outro.
Seja como for, a lista eleitoreira desta quarta feira (14) incluiu um aumento para o faturamento do MEI, o Microempreendedor Individual, perdão de dívidas com a União para o mesmo segmento, aumento da contratação de funcionários, transferência de R$ 5 mil para novos negócios.
Com mais essas benesses eleitoreiras, o governo Lula leva para uns R$ 300 bilhões a gastança para conseguir votos.
Para parte disso sequer há previsão orçamentária.
É a essência do populismo: a festa é hoje, alguém paga a conta amanhã. No caso das eleições, a pergunta é: as benesses levam Lula a virar sobre a desvantagem com a qual saiu do primeiro turno? Até aqui não – ou ainda não?
O problema é o contraste entre medidas pontuais, de última hora, e os fatores mais abrangentes que explicam o primeiro turno para as eleições presidenciais, estaduais e especialmente o Legislativo.
É o cansaço generalizado do eleitor e a persistente alta taxa de reprovação do governo. Esse, digamos, "climão geral" continua o mesmo. Fazendo com que continue bem difícil a empreitada da campanha de Lula.
Espaço para uma virada continua existindo, mas continua bem apertado.



