Autora de Harry Potter, J.K. Rowling é criticada por comunidade LGBT+ após tuíte


Reuters
07 de junho de 2020 às 16:15
J.K. Rowling, autora da saga 'Harry Potter'

J.K. Rowling, autora da saga 'Harry Potter': Críticos apontaram Rowling igualava feminilidade à menstruação,o que seria pejorativo com os transexuais

Foto: Carlo Allegri - 16.out.2016 / Reuters

A autora da série de livros Harry Potter, J.K. Rowling, motivou a raiva de fãs e membros da comunidade LGBT+ na internet mais uma vez neste domingo, após uma série de tuítes que estão sendo acusados de transfóbicos no momento em que protestos contra a discriminação acontecem globalmente.

Os tuítes vieram em resposta a um artigo de opinião do site de desenvolvimento global Devex que deixou Rowling ressentida com a manchete “criando um mundo mais igualitário pós-Covid-19 para pessoas que menstruam”.

“’Pessoas que menstruam’. Tenho certeza que costumava haver uma palavra para essas pessoas. Alguém me ajude? Wumben? Wimpund? Woomud? (modificações propositais da palavra “Woman”, inglês para mulher)", disse Rowling, no fim do sábado.

Críticos apontaram que as visões de Rowling igualavam feminilidade à menstruação, enquanto muitos homens transsexuais menstruam, e muitas mulheres, não.

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“Consegue escrever um mundo mágico inteiro, mas não consegue entender que homens transsexuais existem? Eu não menstruo desde 2017 -minha feminilidade foi pausada até que eu consiga convocar uma (menstruação)?”, disse a autora britânica e colunista de relacionamentos Beth McColl.

Rowling, 54, disse que seus comentários não tinham o objetivo de ofender a comunidade transsexual, apenas sublinhar que “o sexo é real e tem consequências vívidas”.

“Respeito o direito de todas as pessoas transsexuais de viverem da maneira que seja autêntica e confortável para elas. Eu protestaria com vocês se vocês forem discriminados com base em serem trans”, escreveu Rowling, no Twitter.

“Ao mesmo tempo, minha vida foi moldada por ser mulher. Eu não acredito que seja odioso dizer isso.”

Um porta-voz de Rowling se recusou a fazer outros comentários.

A autora britânica já foi criticada por suas visões sobre a comunidade LGBT+ no passado. Em dezembro, ela apoiou uma mulher que foi demitida por tuitar que as pessoas não podem alterar seu sexo biológico. Ela também foi criticada por acrescentar uma relação homossexual à série “Harry Potter” depois que os livros foram publicados.

Nos últimos anos, debates entre ativistas transsexuais e feministas discutiram acaloradamente o que é ser mulher.

No coração do debate, está se os direitos de mulheres transsexuais são compatíveis com os de outras mulheres, particularmente em relação ao acesso a espaços de um único gênero, incluindo refúgios para mulheres.

Cara English, da Gendered Intelligence, uma organização por direitos trans baseada no Reino Unido, afirmou que o momento em que Rowling decidiu reacender este debate, em maio a uma turbulenta luta por igualdade, foi “notável”.

“Enquanto supremacistas brancos e seus parceiros sexistas, classistas e fascistas estão sendo desafiados nas ruas, parece notável reacender argumentos mornos e essencialistas contra pessoas trans”, disse English à Reuters.

“Vamos nos concentrar não em castigar ou até mesmo nos importar com a negatividade que chega a nós, como comunidade, mas em tornar o mundo um lugar melhor para todos nossos irmãos trans, especialmente nossos irmãos trans negros.”

Diante das novas críticas, fãs de Harry Potter também revisitaram um antigo debate sobre a representação negra, asiática e de minoria étnicas em seus livros, com a personagem “Cho Chang” sendo um dos termos mais mencionados. Cho Chang é a única personagem chinesa na série de livros.