Cinema drive-in se torna alternativa para paulistanos cinéfilos na pandemia

Opções na cidade resgatam a experiência de décadas atrás, mas com modificações para manter medidas sanitárias de prevenção à Covid-19

Isabella Faria e Denise Ribeiro Da CNN, em São Paulo
20 de junho de 2020 às 12:00 | Atualizado 20 de junho de 2020 às 21:13

Em 1932, a mãe do americano Richard Hollingshead tinha uma reclamação em particular; os assentos dos cinemas da época eram muito pequenos. Foi aí que Richard teve a ideia de levar o conforto dos carros para perto da tela grande.

E quase 90 anos depois, o cinema drive-in está de volta graças a uma parceria do Memorial da América Latina com o Petra Belas Artes, um conhecido cinema de rua da cidade de São Paulo.

“Os cinemas, e o setor cultural de forma geral, foram as primeiras atividades econômicas a fechar e serão as últimas a abrir”, diz André Sturm, diretor do Cine Belas Artes Drive-In, “por isso, pensei em gerar uma movimentação econômica e apresentei a ideia do Drive-In para o Memorial. E eles toparam.” 

O Belas Artes Drive-In tem capacidade para até 100 carros e possui uma tela de 15 metros de largura e 9,5 de altura. O cinema deve exibir 36 filmes durante os meses de junho e julho e todas as sessões seguirão protocolos de segurança por conta da pandemia da Covid-19: deve haver uma distância de no mínimo dois metros entre os carros no pátio, é obrigatório o uso de máscara, inclusive dentro do veículo, e para ir ao banheiro, é só piscar as luzes do carro; um funcionário te acompanhará até lá.

E como ouvir o áudio do filme com as janelas do carro fechadas? É só sintonizar a rádio do veículo na frequência exata, comprada pela organização do evento especialmente para a ocasião.

“Tudo foi pensado para a equipe e os clientes terem o menor contato possível entre si, tornando o ambiente mais seguro”, diz André.

Cine drive-in começa a funcionar em São Paulo (17.jun.2020)
Foto: CNN

Respiro

Segundo a organização do evento, os filmes exibidos serão aqueles considerados “clássicos”; ou as pessoas já viram, e querem rever em tela grande, ou já ouviram falar. O filme da noite foi “Apocalypse Now”, de 1979, dirigido por Francis Ford Coppola.

“Ninguém da minha família viu Apocalypse Now, então aproveitamos a oportunidade”, diz Barbara Betinacci, que estava acompanhada do pai, da mãe e do irmão, todos no carro. “Tá sendo uma aventura, né? A gente se trocou, passou perfume, nos preparamos mesmo pro evento, depois de três meses sem sair de casa”, diz.

Segundo André, o Cine Belas Artes Drive-In está sendo um respiro para os cinéfilos mas também para a própria equipe, já que durante os próximos dois meses vai ser possível pagar o salário dos empregados, por exemplo.

“Claro, é uma operação cara”, diz André, “O drive-in não cobrirá o aluguel do cinema que continua parado e fechado, mas pelo menos a receita vai ajudar a pagar algumas despesas.”

O setor cultural foi, de fato, um dos mais afetados pela pandemia do novo Coronavírus. A Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo estima que o segmento poderá perder mais de R$ 34 bilhões este ano, afetando cerca de 650 mil pessoas que ficarão sem fonte de renda.

Os cinemas convencionais só poderão abrir na fase cinco do plano de reabertura do estado de São Paulo, mas, se depender dos cinéfilos da cidade, o cinema Drive-In dará conta do recado nesta abstinência audiovisual.